OAS reporta prejuízo de R$ 1,56 bilhão em 2015, mas auditor contesta valor

A empreiteira OAS, que vive processo de recuperação judicial, divulgou apenas na semana passada, no dia 29, as demonstrações financeiras consolidadas do grupo referente ao ano de 2015, quase um ano após o fim do exercício. Foi reportado um prejuízo de R$ 1,56 bilhão, valor contestado pela auditoria independente, realizada pela Deloitte. Com as correções apontadas pelo auditor, a perda líquida no período seria na verdade de R$ 2,3 bilhões.

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No ano anterior, o prejuízo líquido registrado pela OAS, única das grandes empreiteiras investigadas pela operação Lava-Jato que ainda não firmou acordo de leniência, foi de R$ 3,47 bilhões. As demonstrações publicadas ainda apontam para uma redução de 28% na receita líquida, para R$ 4,8 bilhões.

Além disso, enquanto a empresa reportou R$ 6,39 bilhões negativos no saldo de patrimônio líquido ao fim de 2015, os ajustes recomendados pela auditoria levariam o valor para um buraco ainda maior, de R$ 7,73 bilhões.

As divergências entre empresa e auditor na forma de registrar as informações, bem como as incertezas sobre as consequências das investigações do Ministério Público Federal, resultaram em uma opinião adversa — o pior na escala da auditoria —, o que significa dizer que a Deloitte afirmou que o balanço não retrata adequadamente a posição patrimonial e financeira da OAS naquela data.

Dentre os problemas listados estão o reconhecimento de uma perda que deveria ter sido registrada já em 2014, decorrente de um saldo de contas a receber de clientes sem evidências que confirmem sua realização — e para os quais deveriam ter sido constituídas provisões.

Além disso, assim como aconteceu com o balanço da construtora do grupo referente a 2015, publicado em junho, o auditor questiona que a empresa tenha reconhecido, de uma única vez, todo o desconto negociado no plano de recuperação judicial em dezembro de 2015, mas que ainda depende de uma série de condicionantes para se materializar.

“Devido às incertezas associadas ao sucesso do Plano e à falta de firmes evidências sobre o atendimento futuro às condições previstas para manutenção das novas condições para liquidação dos passivos ora renegociados, referido ganho não deveria ser registrado em 2015, mas sim diferido para ser reconhecido à medida da fluência dos prazos de pagamento, de forma a comprovar os fatos que precisam ocorrer”, diz o relatório do auditor. Ainda que a publicação no “Diário Oficial de São Paulo” tenha sido feita na semana passada, o parecer da Deloitte foi assinado em agosto. Questionada sobre os motivos da demora na publicação, a OAS não comentou.

A avaliação dos auditores ainda trouxe uma série de “ênfases”, uma delas já recorrente nos balanços publicados pela empresa, que diz respeito à capacidade de continuidade operacional da OAS. Essa capacidade, diz a Deloitte, depende do sucesso na implementação no plano de recuperação judicial, contratação de novos negócios e eventual geração futura de caixa para liquidação de passivos e manutenção das operações.

http://www.valor.com.br//empresas/4823272/oas-reporta-prejuizo-de-r-156-bi-em-2015-mas-auditor-contesta-valor

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