Novos contratos e licitações confirmam tendência de integração de soluções e apontam para mercado mais concentrado
A Petrobras já começa a por em prática sua nova estratégia de aquisição de bens e serviços, que tem como objetivo a contratação de soluções mais integradas, trazendo os fornecedores para o início do desenvolvimento dos projetos. A idea é reduzir custos e ganhar eficiência.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A petroleira promoveu em novembro dois workshops no Edisen, no Rio de Janeiro, para apresentar sua estratégia de compra de umbilicais. A primeira, no dia 9, foi conduzida pelo chefe da área de Estratégia de Contratação e Gestão de Fornecedores, Juliano Dantas, e a segunda – focada em Libra –, pelo gerente de Operações Submarinas do projeto, Marco Antonio Schwingel Dias.
Participaram dos encontros cerca de 35 executivos de empresas como Aker Solutions, Flexibras Tubos (Technip), JDR Cable, MfX do Brasil, Nexans, Prysmian e Oceaneering.
Um dos pontos destacados pela Petrobras é que a companhia pretende ampliar a utilização de Subsea Distributions Systems (SDU) nas configurações submarinas de seus empreendimentos. Muito comum no exterior, a aplicação – uma espécie de manifold – recebe um umbilical dinâmico que, a partir desse ponto, deriva para outras linhas que se conectam aos poços.
Com isso, a expectativa é que a estatal contrate pacotes menores de linhas para seus próximos projetos, já que o comprimento total de umbilicais diminuirá substancialmente com o uso do SDU, restringindo ainda mais o segmento no país.
Essa tendência já é observada em outras áreas, como a de poços. Um caso ilustrativo é o contrato de construção de poços exploratórios em Libra, firmado recentemente, que ficará a cargo de apenas uma empresa, a norte-americana Halliburton.
Outro exemplo é uma licitação em andamento da Petrobras para contratação de serviços integrados de assistência técnica a perfuração e completação. O escopo inclui desde a locação e usinagem de equipamentos ao abandono de poços.
Embora esteja dividido em três lotes, o edital prevê a possibilidade de que apenas uma companhia leve o contrato, caso as propostas referentes aos lotes A (60%) e B (40%) sejam, somadas, menos vantajosas para a Petrobras que o bid apresentado no lote C (100%).
Para o Piloto de Libra, programado para entrar em operação em 2020, a expectativa é que seja licitado apenas um pacote para árvores de natal molhadas (ANMs), ferramentas, drill pipe risers (DPR) e SDUs.
As mudanças são elogiadas por fornecedores, que veem como positiva sua aproximação com o desenvolvimento dos projetos, mas também são motivo de preocupação.
“É como trabalham operadores em outras partes do mundo. Antes eram processos e competidores separados. É positivo por esse lado, mas a encomenda vai ficar nas mãos de um só fornecedor”, assinala o executivo de uma multinacional.
Libra
Os encontros com fornecedores de umbilicais se sucederam à criação da nova Gerência-Executiva de Suprimento de Bens e Serviços (SBS), cuja estrutura de funcionamento foi apresentada ao mercado em julho deste ano pela Petrobras.
Um dos principais focos das reuniões é o projeto de Libra, carro chefe do atual plano de negócios da petroleira. Além de subsea e poços, o programa discute propostas nas áreas de reservatórios e unidades de produção, buscando a redução de capex e opex.
Nas ocasiões, a Petrobras compartilhou com fornecedores sua intenção de contratar com empresas que tenham capacidade própria de financiamento, para que a companhia possa eventualmente postergar o capex e, assim, retirar determinados projetos da gaveta.
A estatal reforçou ainda que será mais rigorosa na avaliação de critérios como risco de integridade (GRI) e com o Peotram (Programa de excelência de operações de transporte aéreo e marítimo), utilizado como parâmetro pela petroleira ao avaliar as propostas técnico-comerciais dos prestadores de serviço.
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