Statoil comprará participação da Petrobras em Carcará

Operação está avaliada em US$ 2,5 bilhões; companhias discutem cooperação em três bacias

[29.07.2016] 02h06m / Por João Montenegro

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carcara

A Statoil anunciou que comprará a participação de 66% da Petrobras no bloco BM-S-8, na Bacia de Santos, onde está localizado o prospecto de Carcará. A petroleira norueguesa pagará US$ 2,5 bilhões pela fatia da estatal brasileira no ativo. Os demais sócios no contrato são a QGEP, com 10%, Petrogal, com 14%, e Barra Energia, com os 10% restantes.

Carcará foi descoberto em 2012, na faixa geológica das áreas vizinhas de Lula e Libra, no pré-sal. Trata-se de uma descoberta com óleo de alta qualidade (30 API°) e gás associado em uma reserva espessa e com excelentes propriedades, destacou a Statoil.  O prospecto se estende pelo BM-S-8 e por uma área aberta ao norte, que deve ser leiloada na 14ª rodada, em 2017.

A Statoil afirmou que está bem posicionada para operar o campo de Carcará em caso de unitização e que a rodada de licitações da ANP será uma oportunidade para ampliar sua presença no campo. A petroleira estima volumes recuperáveis no BM-S-8 entre 700 milhões e 1,3 bilhão de boe.

De acordo com a companhia, além da descoberta de Carcará, o bloco BM-S-8 tem áreas com potencial para aumentar substancialmente sua base de recursos. A concessão está em sua fase exploratória final, com apenas um compromisso, que prevê a perfuração de um poço em 2018.

“Com essa aquisição, estamos acessando um ativo de classe mundial, e fortalecemos nossa posição no Brasil, uma das áreas mais importantes da Statoil por sua ampla base de recursos e excelente combinação com nossas tecnologias e competências”, declarou o presidente e CEO da companhia escandinava, Eldar Sætre.

Segundo o executivo, Carcará aumentará a produção internacional da Statoil ao longo da próxima década e anos subsequentes. “Estamos desenvolvendo um negócio forte no Brasil, com um amplo portifólio, produção de materiais, oportunidades de alto impacto e excelente potencial para criação de valor e fluxo de caixa no longo prazo”, afirmou.

Metade da cifra combinada pela compra da participação da Petrobras em Carcará será paga no fechamento da transação e o restante, em parcelas contingentes relacionadas a eventos posteriores, como a celebração do Acordo de Individualização da Produção (unitização). O dia efetivo da transação é 1ª de julho deste ano, e sua conclusão está sujeita a condições  usuais, incluindo aprovação de parceiros e do governo.

A Petrobras informou que a operação faz parte de seu atual plano de desinvestimentos e da política de gestão de portfólio da companhia, que prioriza investimentos em ativos com maior potencial de geração de caixa no curto prazo e com maior possibilidade de otimização de capital e de ganhos de escala.

“A Petrobras tem obtido vantagens competitivas relevantes no desenvolvimento do pré-sal brasileiro com a aplicação extensiva de projetos semelhantes e equipamentos padronizados”, disse a companhia, em comunicado à imprensa.

A companhia declarou ainda que a operação abre oportunidades para que parcerias com outras empresas, com forte expertise e condições de investimento, contribuam para o fortalecimento da indústria de óleo & gás no Brasil.

Cooperação 

A Statoi e a Petrobras também discutem uma cooperação estratégica de longo prazo. O foco será nas bacias de Campos e do Espírito Santo, bem como em novas cooperações em projetos de gás e tecnologia na Bacia de Santos.

A petroleira norueguesa é operadora, com 60% de participação, do campo de Peregrino, na Bacia de Campos, ativo que produz cerca de 100 mil barris/dia e tem reservas entre 300 e 600 milhões de barris de óleo. Com 255 milhões de barris, a fase 2 de

Peregrino deve produzir 60 mil bopd a partir de 2020.

A companhia também opera, com 35% de participação, o BM-C-33, onde estão as descobertas de Pão de Açúcar, Gávea e Seat. O projeto está na fase de avaliação do desenvolvimento. A área tem reservas recuperáveis estimadas em 1 bilhão de boe.

A Statoil tem ainda participação em oito blocos exploratórios na Bacia do Espírito Santo, dos quais quatro é operadora, com a Petrobras operando os demais.

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