Produção de petróleo da Venezuela tem forte queda

A Venezuela registrou em maio sua maior queda na produção de petróleo em dez anos, segundo dados divulgados na segunda-feira pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), num sinal de mais problemas pela frente para o país, já às voltas com uma grave crise econômica.

A queda na produção diária de 120 mil barris, para 2,37 milhões de barris, evidencia a incapacidade da petrolífera estatal de manter os investimentos no setor, uma vez que o país, maior exportador de petróleo da região, sofre de falta de capital, escassez generalizada de alimentos e distúrbios sociais.

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Nos últimos meses, grandes empresas de serviços petrolíferos, como a Halliburton e a Schlumberger, anunciaram cortes de operações na Venezuela, pois o país tem tido dificuldade para pagar dívidas com empresas parceiras.

“Isto é muito surpreendente”, disse Francisco Monaldi, pesquisador de políticas de energia latino-americanas na Rice University, em Houston, que acompanha de perto a indústria petrolífera da Venezuela. “Se você quiser apontar o maior problema, é o fluxo de caixa, para a PDVSA, que agora parece ser pior do que imaginávamos”.

A Venezuela, que depende do petróleo para quase toda sua arrecadação, depara-se com uma profunda escassez de dólares, em razão dos baixos preços do petróleo e dos mais de dez anos de gastos públicos exagerados sob o atual governo socialista, que usou o dinheiro do petróleo para financiar programas sociais. A produção de petróleo do país está longe dos 6 milhões de barris diários que as autoridades há muito almejavam.

A produção de petróleo só caiu tanto assim uma vez desde 2003, ano em que a produção foi paralisada por uma greve devastadora de trabalhadores da PDVSA que pediam a saída do então presidente do país, Hugo Chávez. A última vez foi em 2006, segundo Gary Ross, chefe da área de petróleo global na firma de consultoria PIRA Energy Group.

A queda agora pode dar mais força para empresas de serviços em campos de petróleo atualmente negociando pagamentos com a Venezuela, segundo Ross.

A Venezuela, que tem a maior reserva petrolífera do mundo, precisa de investimentos significativos na bacia do Orinoco – um enorme depósito de petróleo no leste do país – como parte de seus planos de longo prazo para dobrar a produção. O processamento do petróleo pesado da região é caro e requer que a PDVSA importe petróleo leve como agente adicional para extrair o petróleo do Orinoco e torná-lo transportável.

Embora o preço de equilíbrio financeiro do petróleo venezuelano seja de cerca de US$ 21 o barril, o petróleo do Orinoco exige um preço acima de US$ 28 o barril para que a PDVSA e seus parceiros possam ter lucro, segundo Risa Grais-Targow, analista do Eurasia Group.

Nos três primeiros meses de 2016, o petróleo venezuelano chegou a ser vendido por cerca de US$ 25 o barril. Embora o preço tenha subido para quase US$ 40 o barril ao longo do último mês, o declínio da produção impactou desfavoravelmente as receitas da PDVSA.

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