Com ultimato do Bradesco, conselho da Invepar assina acordo de reestruturação

Na véspera das eleições, holding de infraestrutura firmou MoU vinculante com credor, apurou Pipeline

Concessão do aeroporto de Guarulhos é o principal ativo da Invepar — Foto: DivulgaçãoConcessão do aeroporto de Guarulhos é o principal ativo da Invepar — Foto: Divulgação

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Na última quinta-feira, houve uma reunião do comitê de estratégia da Invepar, com a participação de assessores financeiros e jurídicos e de representantes do corpos técnico dos acionistas. O comitê, ao fim, recomendou a aprovação da proposta ao conselho de administração, que assinou o memorando de entendimentos vinculante, com os termos finais, no fim do dia. Agora, a pendência é a assinatura dos acionistas.

A proposta avalia a Invepar, antes do aporte, em R$ 600 milhões. O Bradesco se compromete a um aporte de R$ 200 milhões, o que eleva o valuation da companhia para casa de R$ 800 milhões. A avaliação de preço era motivo de impasse entre os fundos, como mostrou o Pipeline em outubro – cada fundação tem uma marcação em seu balanço. A Previ marca o equity a R$ 46 milhões, enquanto a Funcef avalia fatia semelhante em R$ 180 milhões e a Petros, a R$ 229 milhões.

Isso significa uma diferença de valuation para a companhia total que vai de R$ 184 milhões a R$ 916 milhões. A marcação levava a uma resistência, principalmente por parte da Petros, de diluição no negócio a um preço muito diferente.

Agora, além de a avaliação ter melhorado em relação ao início das conversas, a proposta do Bradesco prevê um deságio da dívida bancária na ordem de 20%, incluindo outros bancos credores (Itaú, BTB e BB) que apoiam a tratativa. Com o haircut, uma conversão da dívida em ações resultaria numa diluição menor para os fundos de pensão, com um aumento de capital menor.

Além de acionistas, as fundações também são credores, por meio de debêntures. Para uma pessoa próxima ao negócio, essa é “a última oportunidade de reestruturação da Invepar sem ter que recorrer à recuperação judicial”. A companhia chegou a pedir uma cautelar em 2025. Além dos fundos de pensão, é acionista da holding o fundo Yosemite, que está alinhando com a negociação, segundo as fontes.

O principal ativo da Invepar é o controle da concessionária que administra o aeroporto de Guarulhos. No ano passado, a Invepar repassou o controle da Lamsa, concessionária da Linha Amarela, no Rio, para o Mubadala – o credor que vinha exercendo maior pressão sobre a companhia. Ainda detém fatia minoritária e tem um custo legado da rodovia 040.

Procurados, os acionistas não comentaram e a Invepar não deu retorno.

https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/com-ultimato-do-bradesco-conselho-da-invepar-assina-acordo-de-reestruturacao.ghtml

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