Em 4 de março de 2024, três dias depois da reunião no Planalto, Vorcaro voltou a se encontrar com representantes da Petros.

Mensagens e registros de telefonemas revelam uma série de articulações do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com pessoas ligadas ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), para tentar captar recursos de fundos de pensão de empresas estatais. Os contatos começaram em fevereiro de 2024 e envolveram reuniões, pedidos de intermediação política e negociações sobre investimentos que poderiam chegar a R$ 10 bilhões.

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Na época das primeiras tratativas, Padilha comandava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. As mensagens indicam a participação de Olavo Noleto, então secretário-executivo da pasta, e de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

O principal intermediário era o consultor Júlio Cezar, de Goiânia (GO), que mantinha contato frequente com Vorcaro. Segundo os jornalistas Robson Bonin e Hugo Marques, da revista Veja, o objetivo do banqueiro era conseguir investimentos de entidades como Petros, dos funcionários da Petrobras; Postalis, dos trabalhadores dos Correios; Caixa Econômica Federal; e Banco do Brasil.

De acordo com a versão atribuída a Vorcaro, R$ 1 bilhão dos recursos captados seria destinado ao pagamento de propinas, enquanto o restante permaneceria no banco.

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Contatos com dirigentes e reunião no Planalto

As primeiras movimentações registradas ocorreram em fevereiro de 2024. Em uma gravação de maio daquele ano, Júlio Cezar informou a Vorcaro que tentaria antecipar um encontro com Henrique Jäger, então presidente da Petros. Durante a conversa, também solicitou informações sobre as negociações com o Banco do Brasil.

“Se tiver alguma novidade sobre o Banco do Brasil, você me avisa? Porque qualquer coisinha, já estando ok, eu já ponho você na boca do gol na quarta-feira quando você estiver lá”, afirmou o consultor.

A aproximação com o grupo político ligado a Padilha teve início depois que uma reunião entre representantes da Petros e o banco foi cancelada. Hamilton Buzelin, ex-diretor de Finanças Corporativas do Banco Máxima, instituição que deu origem ao Master em 2018, procurou Vorcaro para tentar reorganizar o encontro.

Em 28 de fevereiro de 2024, Buzelin se reuniu com o empresário em São Paulo. Na ocasião, informou que havia uma nova reunião marcada para 1º de março e pediu que Vorcaro conversasse previamente com Júlio.

“Preciso que você e o Júlio se encontrem antes da reunião para que ele possa expor os detalhes que não pudemos conversar hoje. Vocês precisam se conhecer”, escreveu Buzelin.

O encontro com Alexandre Padilha ocorreu em 1º de março de 2024, no Palácio do Planalto, em Brasília. Também participaram da reunião Olavo Noleto, Júlio Cezar e um primo do consultor identificado como Fernando.

Em uma das mensagens, o empresário informou ao intermediário que havia chegado ao local. “Júlio, já estou aqui no Palácio”, escreveu Vorcaro.

Após a reunião, o banqueiro afirmou que Padilha havia acompanhado a maior parte da conversa e que os assuntos discutidos com Olavo Noleto seriam os mesmos tratados diretamente com o então ministro.

O empresário também relatou que, depois do encontro, Júlio, Olavo e Fernando foram à sua residência, em Brasília. Segundo sua versão, nesse segundo momento teria sido discutida uma condição para facilitar o acesso do Master aos fundos de pensão: o pagamento de propina equivalente a 10% dos valores captados.

Negociações com Petros e Postalis

Os registros mostram que os contatos continuaram nas semanas seguintes. Em 4 de março de 2024, três dias depois da reunião no Planalto, Vorcaro voltou a se encontrar com representantes da Petros. Conversas posteriores indicam que Júlio Cezar também buscava facilitar uma aproximação entre o banqueiro e a direção do Postalis.

Em uma mensagem de 24 de março, o consultor informou que o presidente do fundo reservaria parte da tarde de 2 de abril para receber Vorcaro. “Boa tarde Daniel, preciso que você envie o e-mail pro presidente da Postalis amanhã ele vai travar a agenda do dia 2 de abril na parte da tarde só pra você!!! Me avisa quando enviar para avisá-lo”, escreveu Júlio.

Em 8 de abril, Vorcaro cobrou informações sobre o andamento das tratativas com as duas entidades. O diálogo mostra a preocupação do empresário em acelerar as negociações. “E o email que pediram petros”, perguntou. Júlio respondeu: “Já repassei”.

O banqueiro quis saber, então, sobre os contatos com a Petros. “E o da petros já foi?”, questionou.

O intermediário confirmou que o assunto estava encaminhado. Na mesma conversa, Júlio afirmou que aguardava a evolução das discussões com o Postalis e que tentava organizar novos encontros. Diante da demora, Vorcaro escreveu: “Vamos pressionar pra boletar”, em referência à formalização do investimento do fundo no Banco Master.

As mensagens também mostram o consultor tentando conciliar reuniões e agendas dos dirigentes. Em determinado momento, ele afirmou que encaminharia e-mails e procuraria resolver as pendências ainda naquela semana.

https://timesbrasil.com.br/brasil/caso-master-vorcaro-buscou-apoio-de-interlocutores-de-alexandre-padilha-ministro-de-lula-para-captar-ate-r-10-bilhoes-de-fundos-de-pensao/

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