Ricardo Siqueira Rodrigues busca a anulação de acordo de colaboração para recuperar R$ 10 milhões que pagou na época; defesa não se manifestou
Um dos delatores na Operação Lava Jato, Ricardo Siqueira Rodrigues voltou a ser alvo da Polícia Federal nas investigações sobre o Banco Master. O lobista agora é suspeito de intermediar aportes do Rioprevidência no Banco Master. Procurada, sua defesa não se manifestou.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Rodrigues foi alvo de buscas e apreensões nesta terça-feira, 26, autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A PF afirma que o delator foi responsável pela intermediação política que viabilizou os aportes de R$ 970 milhões do Rioprevidência em letras financeiras do Master.
A investigação identificou trocas de mensagens entre o lobista e o banqueiro. Nos diálogos, Rodrigues afirma a Vorcaro que os aportes do RioPrevidência em letras financeiras do banco dependiam de alinhamento político. Ele ainda disse que o fundo teria um “dono”.
“Daniel, quero deixar registrado aqui meu agradecimento a toda a equipe que você disponibilizou desde novembro. Atingimos a meta estabelecida em apenas 45 dias, o banco foi o segundo maior captador de LF [letra financeira] nesse período e temos um pipeline para o primeiro semestre já em reta final de mais de bilhão”, disse Rodrigues a Vorcaro.
Rodrigues é um dos delatores que tentam anular seus acordos de colaboração na Justiça. Em 2025, ele pediu diretamente ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, para que reconhecesse a nulidade de seu acordo e determinasse a devolução de R$ 10 milhões que pagou a título de multa. Ele tenta pegar carona em uma decisão que suspendeu a multa aplicada ao ex-senador Delcídio do Amaral. Na ocasião, ministros acompanharam o voto de Gilmar.
O ministro ainda não decidiu. Em parecer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou contra o pedido de Rodrigues. “Os pagamentos são fundamentados na confissão da origem ilícita dos valores, mediante manifestação de vontade livre e consciente, com assistência técnico-jurídica”, disse Gonet.
Em um passado recente, Ricardo Siqueira Rodrigues fechou acordo de delação premiada com a Operação Greenfield, que apurou fraudes na Caixa Econômica Federal e fundos de pensão. Ele delatou, por exemplo, um suposto esquema de pagamento de propinas no BRB em troca de investimentos, como o extinto Trump Hotel. Entre os acusados, estavam o empresário Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente durante a ditadura militar, João Figueiredo, e Diogo Cuoco, filho do ator da Globo Francisco Cuoco.
No Rio, delatou supostos esquemas de corrupção de Arthur Soares Filho, conhecido como “Rei Arthur”, que processou Siqueira por supostamente mentir sobre ele em sua delação. Voltou a ser delator no caso do “QG da Propina” na prefeitura do Rio, durante a gestão Marcelo Crivella.
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