Fundos de pensão planejam aumentar fatia da renda fixa

Levantamento da Previc mostra que participação já está no patamar recorde de 86%, enquanto renda variável atinge mínima histórica de 8%

Os fundos de pensão atingiram em 2025 o patamar recorde de 86% dos ativos investidos em renda fixa e a mínima histórica de 8% em renda variável, segundo levantamento da Previc para o Valor. Em 2010, essas fatias eram de 61% e 33% respectivamente. Apesar da perspectiva de início dos cortes de juros neste ano, o cenário deve mudar pouco. Pesquisa da Mercer Brasil mostra que até mesmo os gestores de planos de contribuição definida e perfil mais agressivo pretendem manter ou aumentar a parcela de renda fixa em carteira.

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“Os gestores pensam em garantir o feijão com arroz, mas há uma dicotomia entre o longo prazo, que pede diversificação, e o momento atual de se manter conservador diante do juro alto”, alerta Maurício Martinelli, diretor de investimentos da consultoria. Segundo ele, por demanda do próprio participante, cresceu o número de entidades oferecendo perfil de planos superconservadores, mas, comenta, “quando esse cenário se alterar e o juro real cair, quem não fizer nada terá rendimento menor”.

Conforme a pesquisa, a fatia dos planos com perfil superconservador subiu de 38% no levantamento de 2025 para 47% na edição de 2026. Nesta mais recente edição do levantamento feito anualmente com o setor, foram entrevistados 65 fundos, com 177 planos sob gestão, sendo 59% com um só patrocinador, e cujo patrimônio, somado, alcança R$ 300 bilhões. Participaram entidades de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

No caso dos planos de benefício definido (BD), que vêm aumentando a parcela em títulos públicos federais, na estratégia que definem como “imunização da carteira”, 92% têm acima de 75% em renda fixa e mais de 90% deles pretendem manter ou aumentar a fatia atual. Já nos planos de contribuição definida (CD), 71% têm mais de 75% dos ativos em renda fixa e o restante, 29%, mais de 50%. E 100% pretendem manter ou aumentar a parcela alocada na classe.

Nos planos BD, os benefícios que os participantes receberão são estabelecidos já na contratação; nos de contribuição variável (CV), o valor a ser pago aos participantes será o resultado do saldo das contas e do tempo escolhido para o recebimento; e nos CD, o valor de suas contribuições mensais é estabelecido no início e o benefício dependerá do montante acumulado.

Devanir Silva, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), diz que a migração para o risco ainda vai ser gradual. De acordo com ele, da fatia em renda fixa, 68% estão em títulos públicos federais de longo prazo, com vencimento acima de cinco anos. “Com a perspectiva de redução das taxas de juros, os gestores já começam a olhar para opções com maior risco, mas não vislumbro mudanças abruptas ou movimentos expressivos.”

https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/02/20/fundos-de-pensao-planejam-aumentar-fatia-da-renda-fixa.ghtml

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