ENTREVISTA COM MARCELO FARINHA PRESIDENTE DA PETROS

Abaixo está a transcrição da entrevista com Marcelo Farinha, Presidente da Petros, publicada nas páginas 7 a 11 do documento.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

Por Martha Elizabeth Corazza

O foco é melhorar a experiência do participante

Há poucos meses à frente da Petros, o Presidente Marcelo Farinha conduz a entidade em um momento de desafios e oportunidades para o sistema de Previdência Complementar. Com um patrimônio de R$ 146 bilhões até setembro deste ano, cerca de R$ 9 bilhões a mais que no encerramento de 2024, a fundação mantém sua estratégia conservadora em renda fixa e imunização das carteiras, ao mesmo tempo em que amplia a gestão ativa em renda variável, especialmente nos planos mais jovens, em busca de maior diversificação.

Nesta entrevista, Farinha detalha as prioridades da atual gestão, que incluem o equacionamento do déficit dos dois maiores planos de Benefício Definido (BD), o fortalecimento da transparência e da eficiência operacional, e o avanço de projetos voltados à inovação e à maturidade tecnológica da entidade.

O tema do equacionamento vem sendo tratado por uma comissão quadripartite, com representantes dos participantes, da patrocinadora e dos órgãos de supervisão.

> “Esse processo envolve diversas etapas e depende de alinhamentos, negociações e deliberações pelas instâncias de governança das partes interessadas, até que a proposta de solução seja apresentada.”
>
O dirigente acredita que o segmento vive uma fase de transição.

> “O setor está atento às transformações do mercado de trabalho, considerando a diversificação das formas de vínculo profissional”, afirma, destacando a necessidade de construir sistemas previdenciários mais democráticos e adaptáveis aos novos tempos.
>
Em sua apresentação no 46º Congresso Brasileiro de Previdência Privada, o senhor tratou da necessidade de reinvenção e de transformação da Previdência Complementar. Quais são as inovações mais relevantes já implementadas ou em planejamento na Petros?

Marcelo Farinha: Temos como prioridades três pilares para a gestão: melhorar a experiência do participante; a eficiência; e mitigação dos riscos. Estamos trabalhando para melhorar nossos sistemas e ferramentas a fim de elevar a qualidade dos serviços. Contamos com um projeto específico para promover uma cultura de inovação, conectado aos nossos valores. Esse projeto inclui, por exemplo, a criação de um laboratório de inovação.
A Petros já começou a usar inteligência artificial em algumas tarefas, automatizando atividades rotineiras e liberando as equipes para atividades mais estratégicas, com ganho de escala, eficiência e maior produtividade. Temos ainda um projeto de maturidade tecnológica para modernização dos nossos sistemas previdenciários, com soluções mais atualizadas, arquitetura mais amigável, bases de dados mais acessíveis e tecnologias alinhadas à complexidade e especificidade dos nossos planos. Tudo para melhorar ainda mais a experiência dos nossos participantes.

Dadas as mudanças no mercado de trabalho, qual é a sua avaliação da importância de novos modelos previdenciários, como o de micropensões e outras iniciativas em discussão pelo mercado?

Marcelo Farinha: O setor está atento às transformações do mercado de trabalho, considerando a diversificação das formas de vínculo profissional. A Abrapp vem conduzindo de forma brilhante essas discussões e atuando para buscar sistemas previdenciários mais democráticos e adaptáveis às novas dinâmicas do trabalho. Inclusive, esse tema foi amplamente debatido no 46º Congresso.
Outra importante iniciativa é a Frente Parlamentar Mista para o Fortalecimento das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, que visa modernizar os marcos regulatórios e ampliar a inclusão previdenciária. Soma-se a isso a educação financeira e previdenciária, uma frente estratégica e fundamental para conscientizar a população da importância da formação, desde cedo, de uma poupança de longo prazo para melhor qualidade de vida e bem-estar.

Frente às novas demandas da sociedade, qual deverá ser, em sua opinião, a prioridade das Entidades Fechadas de Previdência Complementar para buscar um modelo de poupança previdenciária que tenha um futuro sustentável?

Marcelo Farinha: Precisamos estar preparados para uma sociedade que vive mais. Com uma população mais longeva, a Previdência Complementar assume papel cada vez mais relevante, talvez ainda maior do que tinha nos anos 70, quando as entidades fechadas foram criadas. A maior longevidade da população brasileira traz desafios, mas também grandes oportunidades de inovação e criação de produtos que possam gerar valor para o participante.
Na Petros, a idade média dos nossos participantes é de 61 anos, e a expectativa de vida média alcança 88 anos – um número significativamente superior à média nacional, que é de 76 anos, segundo o IBGE. Além disso, mais de quatro mil assistidos possuem 90 anos ou mais e, desses, 126 são centenários. As entidades precisam fortalecer a cultura de educação financeira e previdenciária, reforçando a importância de poupar hoje para desfrutar no futuro e, ao mesmo tempo, lançar mão de estratégias mais assertivas de retenção e atração, fortalecendo o negócio. Na Petros, temos o compromisso com a educação financeira e previdenciária por meio de um robusto programa, com uso de linguagem simples, acessível e em diferentes formatos.

Quais são os planos em andamento para equacionar o déficit da Petros? Nesse sentido, quais são as prioridades da entidade para encontrar uma solução equilibrada e que atenda aos interesses dos participantes?

Marcelo Farinha: A busca por uma solução para os planos de equacionamento dos nossos dois maiores planos de Benefício Definido, o PPSP-R e do PPSP-NR, está sendo tratada no âmbito da Comissão Quadripartite, que conta com representantes dos participantes, da patrocinadora e dos órgãos de supervisão. A Petros fornece suporte técnico, com assessoramento e apresentação de estudos necessários. O relatório final apresentará o trabalho técnico realizado e um modelo conceitual tecnicamente viável. Importante destacar que esse processo envolve diversas etapas e depende de alinhamentos, negociações e deliberações pelas instâncias de governança das partes interessadas, até que a proposta de solução seja apresentada.

Suas recentes declarações após tomar posse no cargo têm destacado a necessidade de transparência e de medidas que reforcem a confiança dos participantes. Qual é a urgência de chegar a uma solução para a questão do déficit? Há metas e prazos definidos?

Marcelo Farinha: Somos sensíveis ao impacto do equacionamento na vida dos participantes e a busca por uma solução é prioridade na nossa agenda. Qualquer definição de prazo sobre essa busca depende do andamento das etapas desse processo, que, conforme falei, envolve alinhamento, negociações e deliberações, além de observância de todas as exigências legais e regulatórias.
Sobre transparência, entendemos ser um dos pilares da boa governança. Trata-se de um compromisso permanente da Petros, sendo, inclusive, um dos projetos do nosso Planejamento Estratégico. Recentemente, lançamos o “Transparência Ativa”, que reúne diversas iniciativas para fortalecer a disponibilização de conteúdos de interesse dos participantes, como a criação de uma página especial no nosso portal, reunindo tudo que divulgamos em um único lugar, facilitando o acesso, e melhorando a experiência do nosso público-alvo.
Cabe destacar que os avanços da Petros em transparência vêm sendo reconhecidos pelos participantes e pelo mercado, levando a fundação a ser procurada por outras entidades para benchmarking, o que reforça nosso papel de referência no setor. Como exemplo, somos a única entidade a divulgar prévia de rentabilidade mensal, com celeridade, até o dia 12 do mês subsequente. Também somos pioneiros na adoção do Canal de Notícias no WhatsApp, levando informações aos participantes de forma rápida e acessível. Na nossa última Pesquisa de Satisfação, um em cada quatro participantes satisfeitos entrevistados apontou a transparência como motivo para a boa avaliação, um aumento do percentual. Além disso, temos o projeto “Simplifica +”, cujo objetivo é fortalecer o uso de linguagem simples e acessível para os participantes, facilitando a compreensão sobre os planos de benefícios.

Diante da perspectiva de um ciclo de queda da Selic, com início esperado pelo mercado para o primeiro trimestre de 2026, e dado o atual cenário macroeconômico, há necessidade de um ajuste nos movimentos de alocação, de modo a explorar novas oportunidades?

Marcelo Farinha: As estratégias de investimentos da Petros seguem as diretrizes da Política de Investimentos, documento elaborado pela área técnica e aprovado pelas instâncias de governança, considerando o perfil de cada plano, como modalidade, maturidade e obrigações, além do cenário econômico e critérios de exposição a riscos. A construção das Políticas de Investimentos envolve um robusto processo e estudos aprofundados e debates qualificados. Inclusive, iniciamos o processo de elaboração do documento que norteará nossas diretrizes no ciclo 2026-2030, como fazemos todos os anos.
Ainda é cedo para adiantar qualquer alteração de estratégia, uma vez que o documento se encontra em fase de construção e passará pela deliberação das nossas instâncias de governança. O que posso dizer é que as diretrizes da Política serão pautadas pela segurança, como a estratégia de imunização, e a busca pela melhor rentabilidade e otimização da relação risco-retorno, respeitando sempre o perfil e a característica de cada plano de benefício.

Há intenção de ampliar o apetite por ativos de risco em 2026, especialmente na bolsa de valores local?

Marcelo Farinha: Atualmente, a renda fixa representa a maior parte da nossa carteira, com 83,4% de exposição, e a renda variável responde por cerca de 6,6% da carteira consolidada da fundação. Nos demais segmentos, temos 3,9% em investimento estruturado, 3,1% em imóveis, 2,5% em empréstimos e 0,5% em investimentos no exterior.
A Petros está sempre atenta às oportunidades do mercado. Porém, em um cenário de juros elevados, os ativos de renda fixa seguem atrativos, contribuindo para a estabilidade das carteiras e geração de resultados consistentes. Inclusive, recentemente, ampliamos a alocação nesse segmento, que vem oferecendo maior estabilidade e proteção ao patrimônio dos participantes dos planos ao longo dos últimos três anos, fortalecendo ainda mais a estratégia de imunização.
Vale destacar que essa estratégia vem rendendo bons resultados, com todos os planos administrados pela Petros superando o objetivo de retorno. A imunização é destaque especialmente nos planos PPSP-R e PPSP-NR, que atingiram seus objetivos de retorno em 2023, 2024, e seguem acima da meta em 2025. Recentemente, elevamos o alvo de alocação em renda fixa de 80% para 85% nesses planos. A rentabilidade consolidada da fundação acima da meta vem contribuindo para elevar o nosso patrimônio, que atingiu a marca de R$ 146 bilhões até setembro deste ano, um acréscimo de cerca de R$ 9 bilhões em relação ao encerramento de 2024.

Como a Petros aproveita hoje as oportunidades em renda variável doméstica? E no exterior?

Marcelo Farinha: Criamos um fundo de ações com gestão ativa, desenhado para refletir o perfil do passivo da fundação. A proposta do novo fundo é investir em empresas bem administradas, com negócios estáveis e resilientes, que consigam repassar a inflação aos seus preços e gerar caixa de forma consistente. Essas empresas também devem ter capacidade de pagar dividendos ou reinvestir com bons retornos. Uma simulação da estratégia mostra que, nos últimos dez anos, esse tipo de investimento teria tido desempenho superior aos principais índices de renda variável e renda fixa.
O fundo marca um avanço na estratégia da Petros, aumentando a participação da gestão ativa na carteira de renda variável. A renda variável é uma estratégia importante de diversificação, mas focada em planos jovens, em fase de acumulação, como o PP-2, que tem cerca de 12% da sua carteira no segmento, e que vem registrando bom desempenho, com alta de mais de 28% até setembro, bem acima do Ibovespa, com 21,58%. Destaque para nossos fundos de gestão própria, como o FIA Petros Seleção Alta Liquidez, com patrimônio de R$ 2,2 bilhões e valorização de 31,9%, acima do benchmark em 10 pontos percentuais.
Em relação ao investimento no exterior, apesar de representar ainda uma pequena parcela na carteira de investimentos da Petros, a estratégia é relevante para a mitigação de risco do portfólio, a partir do descorrelacionamento entre os ativos.

Há uma perspectiva clara para ampliar investimentos em infraestrutura e em projetos atrelados aos princípios de responsabilidade Ambiental, Social e de Governança (ASG)?

Marcelo Farinha: Temos uma equipe de investimentos formada por profissionais qualificados e experientes, que conduzem uma gestão chancelada como “excelente” pela Fitch Ratings, uma das maiores agências de classificação de risco do mundo. Dessa forma, qualquer tipo de alocação seguirá avaliação estritamente técnica, buscando o melhor retorno para o patrimônio.
Incorporamos critérios Ambientais, Sociais e de Governança (ASG) aos nossos processos de análise, decisão e monitoramento dos investimentos. Entendemos que companhias que adotam as melhores práticas tendem a ser mais bem-sucedidas e proporcionam desempenho sustentável, perenidade e melhor relação risco-retorno. Reforçamos nosso compromisso ASG como signatários do PRI – Princípios para o Investimento Responsável, iniciativa de grandes investidores em parceria com a ONU.

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.