Petros se aproxima de solução para planos com déficit de R$ 42 bi

Liane Thedim
Do Rio

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A Petros, segundo maior fundo de pensão do país, fechou acordo com participantes e órgãos reguladores que leva a uma solução para os planos de beneficio definido que hoje amargam déficit de R$ 42 bilhões, os Planos Petros do Sistema Petrobras (PPSP). Segundo o novo presidente da fundação, Marcelo Farinha, o acerto, já em fase de coleta de assinaturas, definiu o modelo do novo plano para o qual os cerca de 52 mil participantes vão migrar. “Temos um modelo consensuado que não vai ser questionado porque na comissão estava o órgão supervisor”, afirma Farinha, em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, há cerca de dois meses e meio.


O plano, diferentemente do antigo, que é de benefício definido. será de contribuição definida e prevé pagamento vitalicio, atualização pela inflação e décimo terceiro. A Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) e a Superintendencia Nacional de Previdência Complementar (Previc) participaram da comissão. Agora, falta a fase final do acordo, que será feito na Justica diretamente com a Petrobras, para encerrar ações que pedem a cobertura do déficit e que somam R$ 23 bilhões, sendo que a empresa considera R$ 10 bilhões com remota chance de vitória e R$ 13 bilhões de provável éxito.


Segundo Paulo César Martin, secretário de seguridade, aposentados e políticas sociais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a expectativa é que tudo esteja finalizado até o primeiro trimestre de 2026. Atualmente, patrocinadora, participantes e assistidos (que já recebem o beneficio) estão pagando contribuições extras entre 17% e 20% do bruto mensal e de 30% do décimo terceiro por déficits nos anos de 2018, 2021 e 2022. De acordo com Farinha, depois de todo o processo, as regras serão apresentadas aos participantes, que vão decidir se aderem ou não.


Procurada, a Petrobras não comentou o assunto.


O novo presidente do Petros sucedeu Henrique Jäger, que havia assumido em 2023 e deixou o cargo em abril. Com longa experiência no setor -foi presidente da Federação Nacional das Empresas de Capitalização (Fenacap) e vice-presidente da CNseg, de seguros, entre outros, e tem 35 anos de carreira no Banco do Brasil—, ele afirma que ainda está mapeando a situação da fundação, cujo patrimônio é de R$ 145 bilhões.
Conta que já montou as diretrizes de sua estratégia, mas não fez “nenhum movimento brusco”.


O planejamento vai na direção de levar mais eficiência à Petros. com cortes de gastos e inovação tecnológica. Farinha comenta que 17% dos custos administrativos não são bancados com recursos do participante ou patrocinador e sim de receitas geradas pela própria fundação. E o caso, por exemplo, da folha de pagamento, que inclui 78,5 mil assistidos, de um total de 132,3 mil participantes, pela qual os bancos pagam para terem o direito de processar. “Temos outras fontes de receita e temos espaço para ampliá-las.” Além disso, todos os gastos que não forem básicos, para manter a estrutura funcionando, terão que passar por avaliação de viabilidade e aprovação da diretoria.


Outra frente na qual Farinha planeja atuar é a da defasagem tecnológica. Ele comenta que a fundação está fazendo uma modelagem para, no segundo trimestre de 2026, trazer os sistemas “de um estágio que a gente considera ainda não maduro o bastante para um outro patamar”. A ideia é melhorar tanto os mecanismos de redução de riscos quanto a experiência de participante.


“Mas essa experiência do participante não se melhora só com tecnologia”, diz o novo presidente. “Quando você tem um equacionamento, a reputação da entidade fica maculada, acaba tendo um indice de denúncias ao órgão supervisor. Você precisa voltar atrás e recuperar.” Por isso, prossegue, sua prioridade é buscar uma solução equilibrada para os planos de equacionamento e prosseguir na estratégia de imunização de carteiras “para que isso não volte a acontecer”.


A imunização é a maneira como, no jargão do setor, se promove o casamento de ativos e passivos no futuro, uma espécie de colchão contra pressões atuariais, macroeconômicas ou judiciais. De acordo com Farinha, 63% da carteira total geral estão vinculados a ativos de imunização, 30% são de otimização de retorno e 7%, ativos de menor liquidez. “Quando a gente vai para os ativos dos PPSPs os planos que estão com déficit], aí o nível é de 85%.” Atualmente, 83% da carteira consolidada de investimentos estão concentrados em renda fixa. “Para a mesma rentabilidade que eu tinha antes, eu corro menos risco. Então a entidade eletivamente reduziu o seu apetite a risco, mas é conjuntural.


No ano passado, chegaram a circular informações de que o governo estaria pressionando as fundações de estatais a investir em infraestrutura, já que, no mundo, os fundos de pensão são grandes financiadores do setor. Farinha nega que tenha sido procurado sobre oassunto e afirma que a política da Petros não permite alocar em fundos de investimento em participações. Segundo ele, por enquanto, infraestrutura está fora do radar. “A gente não precisa fazer esse movimento de maior risco agora.” Mas, em crédito privado, Farinha vê espaço para crescer. “Temos muito pouco na carteira e existe espaço pra ampliação. Conceitualmente, compreendemos que uma carteira boa é diversificada.”

Já para aumentar o número de participantes, o novo presidente avalia que não é o caso de recorrer a alternativas que estão sendo utilizadas por outras fundações, como abrir para adesão de familiares de funcionários. Ele quer crescer organicamente: “Não atingimos 100% dos funcionários das patrocinadoras. Eu tenho um aquário aqui, por que eu vou pescar lá fora?” Ele reconhece que o déficit dos planos de benefício definido é “uma pedra no sapato, é prioridade, mas a pauta não é monotemática.” A Petros tem ainda um plano de contribuição definida (PP-3) e o maior de contribuição variável do país, o PP-2, com patrimônio de RS 55,25 bilhões e 52,7 mil participantes. Farinha comenta que, embora tenha larga experiência no setor, nunca tinha estado num plano tão complexo. “Eu sabia que não seria fácil, mas resolvi encarar, e tem sido uma ótima experiência.”

Valor Terça-feira, 21 de outubro de 2025
Valorinveste

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