Às vésperas de assembleia de acionistas, Invepar discute dívida com debenturistas



Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

Discussões envolvem emissão de debêntures emitidas em 2017

Com a aproximação da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da Invepar, que vai discutir, na quinta-feira (12), um possível pedido de recuperação judicial da empresa, crescem as tensões com credores da companhia, entre eles a Mubadala Capital. O cenário se agravou recentemente, já que a nova diretoria da Invepar teria deixado de cumprir obrigações financeiras e interrompido a comunicação com parte dos debenturistas.

Em 21 de maio, a Invepar convocou os acionistas para decidir sobre um pedido de recuperação judicial. No último dia 16, a empresa obteve medida cautelar na Justiça do Rio com um mês de proteção contra credores — uma resposta à decisão da Mubadala de decretar o vencimento antecipado da dívida da Invepar por falta de pagamento.

Em 2017, a Mubadala Capital — subsidiária do fundo soberano de investimentos de Abu Dhabi — e os três fundos de previdência sócios da Invepar (Previ, Funcef e Petros) estruturaram uma debênture privada de pouco mais de US$ 500 milhões emitida pela companhia.

A Mubadala subscreveu US$ 260 milhões e ficou com o controle da operação, com 51,5% do papel, enquanto os fundos ficaram com os 48,5% restantes, em proporções semelhantes. Inicialmente com vencimento de um ano, as debêntures foram renegociadas sete vezes de lá para cá.

Em novembro 2021, como parte da reestruturação dessa dívida, os debenturistas (Mubadala e fundos) fecharam a “troca” de cerca de R$ 1,8 bilhão em debêntures da Invepar por 100% das ações da concessão MetrôRio e MetroBarra (MRJ), no Rio. Pela transação, a Mubadala passou a deter 51,5% do MRJ, enquanto os fundos ficaram com os 48,5% restantes.

Na última tentativa de diálogo, a Invepar propôs suspender o pagamento das dívidas por seis meses — um “standstill” —, mas a oferta foi rejeitada pela Mubadala. O fundo entendeu a medida como um calote unilateral. Desde então, as conversas entre as partes praticamente cessaram.

Segundo fontes próximas às negociações, a Invepar não repassou aos credores o valor obtido com a venda de sua fatia remanescente no VLT Carioca à CCR — transação de R$ 97 milhões concluída em março deste ano. Cerca de R$ 30 milhões deste valor deveriam ter sido usados para amortizar debêntures. A companhia também deixou de repassar aos credores a fatia de 70% das receitas mensais da Linha Amarela.

A Invepar vendeu a participação e direitos que detinha no VLT Carioca para a CCR em março de 2025. Parte desses recursos deveriam ser destinados para a amortização das debêntures. Quanto à Lamsa — concessionária do grupo Invepar criada nos anos 1990 para operar a Linha Amarela no Rio —, há um acordo de reestruturação que prevê o pagamento da geração de caixa para amortização da dívida com a Mubadala, assinado em outubro de 2023.

Embora a prefeitura do Rio tenha rompido o contrato de concessão da Lamsa em 2021, com uma disputa entre Invepar e o município ainda na Justiça, a empresa vinha honrando o pagamento dos dividendos. “Durante todo esse período, a tarifa está congelada, mas economicamente a companhia continua saudável. Então, a Invepar opera a companhia e distribui dividendos todo mês”, disse uma fonte que prefere não se identificar.

O mesmo interlocutor também indica a interrupção de comunicação da diretoria da Invepar com os debenturistas há dois meses e mudanças no perfil técnico da gestão como fatores que agravaram a crise. “O cenário levou à decretação de vencimento antecipado da debênture pela Mubadala”, disse.

A AGE será acompanhada de perto por agentes do mercado financeiro devido à complexidade da estrutura societária da Invepar e ao volume de passivos envolvidos. A holding, que tem participação em grandes ativos de infraestrutura, como o aeroporto de Guarulhos, enfrenta dificuldades financeiras após anos de desinvestimentos e renegociações.

A recuperação judicial poderia ser uma saída jurídica para garantir o pagamento da dívida. No entanto, há riscos para os fundos de pensão (Previ, Petros e Funcef), que, por serem acionistas da Invepar, perderiam prioridade de recebimento caso a RJ seja concedida, o que pode prejudicar os pensionistas.

Em nota, a Invepar informou que não irá se manifestar sobre processos em curso. “A companhia segue trabalhando na busca de soluções e para a melhor composição dos interesses junto aos credores”, disse.

Procurada, a Previ comunicou que não se posicionará sobre o assunto e que “eventuais esclarecimentos ou posicionamentos sobre a Invepar devem ser solicitados diretamente à própria companhia”. A Funcef e Petros disseram que não iriam se manifestar.

A Mubadala Capital disse que “se posiciona de forma construtiva junto a seus parceiros e ativos que não recebeu qualquer proposta de nova negociação por parte da Invepar”. Disse ainda que a dívida, com vencimento original em 2018, foi renegociada sete vezes e que “preza pela geração de soluções responsáveis e sustentáveis”.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/06/09/s-vsperas-de-assembleia-de-acionistas-invepar-discute-dvida-com-debenturistas.ghtml

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading