‘Faz anos que o mundo espera o dinheiro dos fundos de pensão do Brasil’, diz CEO global da gestora do Santander

MADRI — O Brasil é um dos principais focos do plano de crescimento da Santander Asset, gestora de investimentos do banco espanhol que possui 210 bilhões de euros em ativos de clientes pelo mundo. E a estratégia no mercado brasileiro é de mão dupla, diz a CEO global, Samantha Ricciardi — passa tanto por seduzir o dinheiro local como por atrair recursos externos para ativos brasileiros.

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Na primeira parte do plano, a asset criou há quase um ano e meio no Brasil uma assessoria de investimento que se inspira nos modelos de agentes autônomos. Até agora, já são 1,4 mil assessores “plugados” à chamada AAA, e a expectativa é atingir 2 mil no fim do primeiro trimestre de 2024.

— O mundo tem muito o que aprender com o Brasil, que conseguiu atingir uma bancarização de 80% da população. Nos investimentos, temos que dar crédito à XP, com seu modelo de assessoria. O AAA é uma aposta nesse sentido, de oferecer personalização ao cliente de varejo — disse Samantha Ricciardi em conversa com jornalistas, na semana passada, na sede do banco em Madri.

No flanco dos investidores institucionais, um dos alvos potenciais são os fundos de pensão — embora a própria executiva reconheça uma barreira cultural.

— O mundo todo espera há 15 anos que os fundos de pensão brasileiros invistam dinheiro lá fora, mas nunca aconteceu — admite ela. — É uma situação que tem a ver com o fato de os juros serem historicamente altos no país. Para que investir lá fora se posso ganhar 14% no país sem risco? Em mercados como Chile e México, a penetração é muito maior. Mas, agora, estamos diante de uma tendência de queda de juros, e acredito que possa haver uma expansão.

Os fundos de pensão brasileiros investem apenas R$ 7,5 bilhões no exterior, ou apenas 0,7% do US$ 1,1 trilhão de todo o patrimônio do segmento, segundo a Abrapp. Pior: em dois anos, a fatia foi cortada à metade. E isso a despeito de o limite regulatório ser de 10%.

Do lado dos ativos brasileiros, a Santander Asset vai fazer um esforço para distribuir títulos de dívida do governo brasileiro e de companhias locais para investidores internacionais, disse a executiva. As conversas estão apenas começando:

— Queremos ser o “go to” para os investidores quando o tema é América Latina.

O Brasil já é o segundo maior mercado da Santander Asset, com cerca de 29 bilhões de euros, superando o México (22 bilhões de euros) e ficando atrás apenas da Espanha (70 bilhões de euros). Ao todo, a gestora opera em dez países.

— A América Latina vai ser essencial, vai ser o local para crescimento — diz Samantha, uma mexicana que fez carreira na Schroders e na BlackRock e chegou ao Santander há menos de 2 anos.

* O repórter viajou a convite do Santander

https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2023/11/faz-anos-que-o-mundo-espera-o-dinheiro-dos-fundos-de-pensao-do-brasil-diz-ceo-global-da-gestora-do-santander.ghtml

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