Maioria dos fundos de pensão fica abaixo das metas no 1º tri

De acordo com estudo da Aditus, 72% dos planos não alcançaram os objetivos no período

Depois de dois anos difíceis, os fundos de pensão começaram 2023 com resultados abaixo da meta atuarial, de acordo com um levantamento da consultoria Aditus que mostra os resultados entre janeiro e março de 120 fundações, que contabilizam mais de R$ 300 bilhões. A perspectiva é que, ao longo do ano, esse cenário se alivie, acredita o sócio da consultoria, Guilherme Benites.

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“As entidades estão com muito caixa e devem fazer um ou outro movimento tático, e não deve haver grandes tomadas de risco”, acredita o especialista. De acordo com a pesquisa, 72% dos planos não alcançaram os objetivos no período. Considerando apenas os planos de benefício definido, a situação está praticamente dividida – 53% superaram as metas e 47%, não.

Segundo a amostra da Aditus, entre janeiro e março, os investimentos em renda fixa tiveram valorização de 3,21%, considerando a mediana das rentabilidades. “O início de 2023 pegou o mercado de surpresa e a renda fixa não ajudou. Em um ano em que o mercado está mais conservador, a renda fixa não performar bem é ainda mais doloroso. Mas abril começou um pouco melhor”, afirma Benites. A renda variável, que junto com a renda fixa compõe os investimentos mais representativos do setor, é o segmento que mais sofre, com recuo de 6,93%. Os ativos imobiliários caíram 1,96% no período, enquanto os estruturados e no exterior subiram 1,22% e 3,27%, respectivamente.

Como 2021 e 2022 foram anos complicados para as fundações, houve um movimento de redução de risco adicional no início deste ano. Mas algumas entidades começam a demonstrar interesse em olhar para outros ativos, como crédito privado ou algum movimento em direção à bolsa, segundo o consultor.

O caso Americanas, que eclodiu no início do ano e teve impacto sobre o mercado de crédito, foi uma surpresa e ainda está tendo reflexos. Mas, de forma geral, o diagnóstico não é complicado ou irreversível, segundo Benites. “Temos tempo pela frente e o que vimos que não foi tão bom assim é claramente recuperável ao longo dos próximos meses”, afirma. Segundo ele, mesmo sem mudanças nas carteiras das fundações seria possível alcançar as metas em 2023.

Além do cenário econômico, as entidades patrocinadas por estatais estão em compasso de espera pelos novos dirigentes, o que de alguma forma congela decisões de investimentos, especialmente as de longo prazo. Mesmo as que já anunciaram os nomes passam por momentos esperados de adaptação das novas gestões.

Em 2022, os planos de benefício definido reduziram o déficit para R$ 16 bilhões, ante um resultado negativo de R$ 40 bilhões um ano antes. “Os resultados são conjunturais e nenhum plano tem problema de solvência”, afirma o presidente da Abrapp, associação que representa os fundos de pensão, Jarbas de Biagi. “O segmento está muito normatizado. Estamos conversando com reguladores para diminuir um pouco as regras, há sobreposições. Pedimos uma trégua de novas resoluções”, afirma Biagi.

Recentemente, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) fez uma mudança pontual na questão do provisionamento das perdas preditivas dos ativos de crédito. A nova norma derrubou a obrigatoriedade da realização de provisão prévia associada ao risco de crédito, conforme pleito defendido pela Abrapp e por suas associadas nos últimos dois anos.

https://valor.globo.com/financas/noticia/2023/04/20/maioria-dos-fundos-de-pensao-fica-abaixo-das-metas-no-1o-tri.ghtml

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