O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou há pouco que há “falsas narrativas” de que juros altos beneficiam rentistas e disse que a autoridade monetária precisa cada vez mais melhorar a comunicação para explicar seu trabalho.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“Quem é o rentista do país? São as 36 milhões de pessoas que têm fundo, 48 milhões que têm fundos de pensão? São 6 milhões de pessoas que investem na bolsa? São todos aqueles que acreditaram e financiaram o governo? A gente não precisa buscar beneficiários e culpados, precisamos buscar um sistema melhor”, disse em evento da Esfera Brasil, em São Paulo.
Segundo ele, é preciso explicar que o trabalho do BC não é “querer ter juros altos”. “O problema dos juros é um problema de todos nós, do BC, do governo, das pessoas, e a gente tem que trabalhar juntos para resolver. Mas a gente precisa dar explicações e não ficar apontando o dedo”, ressaltou.
Campos repetiu que o BC é órgão técnico e reclamou novamente da “politização”. “Um BC politizado subiria juros em ano de eleição? Óbvio que não. A gente vai trabalhar para fazer com que a inflação vá para a meta com o mínimo de custo para a sociedade possível”, disse.
O presidente do BC disse que o mercado de capitais está com menos emissões. “A gente está olhando e tentando entender isso”, afirmou. Segundo ele, contudo, os bancos não enfrentam problemas de liquidez.
Campos ressaltou que depois da pandemia o mercado de crédito cresceu a dois dígitos e que a desaceleração era esperada. Sobre política monetária, ele disse que se o BC não tivesse subido juros “em ano de eleição”, provavelmente a inflação estaria mais alta. “Se a gente tem um nível de inflação de 10% a 12%, só é sanado colocando o país em recessão”, avaliou.
Sem especificar, ele disse que “no último experimento” com uma inflação desse nível a recessão foi entre 3% e 4%. “A gente tenta suavizar o máximo possível [a atuação nos juros sobre a atividade]”, ponderou.
“É importante mencionar que inflação muito alta cria mecanismos de indexação. Trazer a inflação para baixo acaba sendo mais custoso”, complementou.
O titular do BC ressaltou, ainda, que o canal de expectativas de inflação faz com que “uma promessa a longo prazo” se transforme em “valor presente”. “É um círculo virtuoso [no longo prazo], mas o ruído atrapalha o canal de política monetária e também de política fiscal”, disse.
Ao falar de produtividade, Campos citou o 5G e diz “nosso querido Fábio”, em referência ao ex-ministro das Comunicações do governo de Jair Bolsonaro (PL), Fábio Faria, que conduziu o processo de implementação do novo sistema e estava na plateia.
Depois, ele afirmou que se vê “com alguma deficiência” na comunicação e disse que Faria, quando estava no governo, “ensinou bastante sobre esse tema”.
O presidente do BC disse que “gostaria muito” que aumentasse a diversidade na diretoria colegiada e que há esse esforço, “mas nem sempre vai ser na velocidade que você quer”.
Campos reforçou que ele é autônomo em relação ao governo, mas que os diretores também têm autonomia em relação ao presidente da autarquia. Em seu ponto de vista, é saudável que os membros tenham opiniões divergentes.
“A gente vai ver cada vez mais sistema que governo tem menos poder em relação ao BC e eu também tenho [menos poder], o que é saudável”, disse.
Questionado sobre mudanças na lei das estatais, ele frisou que “ganho de institucionalidade gera ganho de credibilidade”. “A gente vê que os momentos em que o Brasil conseguiu conviver com juros mais baixos tinham grande âncora fiscal. Investimento depende de estabilidade no sistema e nas empresas”, destacou.
“Acho que a gente precisa entender que a gente avançou em institucionalidade e mercado de capitais. Hoje não é possível operar com modelo de 25 anos atrás”, salientou. Para ele, estabilidade política também é importante.
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