De forma quase unânime, a indústria de óleo e gás reagiu negativamente ao anúncio da escolha dos membros que irão compor a equipe de transição da área de Minas e Energia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação, à primeira vista, é de que faltou diversidade de visão, nomes novos e pessoas com maior conhecimento técnico. Executivos do setor ouvidos pelo PetróleoHoje criticaram o fato de a lista não trazer nenhum nome do mercado, mas contemplar três representantes de sindicatos.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“As pessoas foram escolhidas a dedo. Não há ninguém que possa apresentar o contraponto da indústria ou alertar para eventuais problemas”, afirma uma fonte que prefere não se identificar. Executivos se ressentiram da diversidade pautada em outros grupos de transição, como o da Economia, que conta com nomes como o de Pérsio Arida, um dos formuladores do Plano Real, e Nelson Barbosa.
O grupo de transição de Minas e Energia será formado 12 representantes – Anderson Adauto, ex-ministro dos Transportes do primeiro mandato do governo Lula e ex-prefeito de Uberaba (MG); Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP; Fernando Ferro, ex-deputado federal; Giles Azevedo, ex-assessor especial da Casa Civil no governo da ex-presidente Dilma Rousseff; Guto Quintela, membro do Conselho Diretor do Centro de Empreendedorismo da Amazônia; Ikaro Chaves, diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras; Jean Paul Prates, senador (PT-RN); Magda Chambriard, coordenadora de Pesquisa da FGV Energia e ex-diretora geral da ANP; Maurício Tolmasquim, ex-secretário executivo do Ministério de Minas e Energia e ex-presidente da EPE; Nelson Hubner, ex-diretor geral da Aneel e ex-presidente do conselho de Administração da Light; Robson Sebastian Formica, integrante da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens; e William Nozaki, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep).
Na opinião de outro grande executivo, que também prefere manter o anonimato, a lista demonstra que, aparentemente, não houve uma evolução de ideias sobre o entendimento do setor de óleo e gás. “As pessoas que ali estão são vocais, sempre foram vocais das mesmas ideias antigas”, critica um alto executivo do setor.
Outro consenso entre os críticos diz respeito à falta de mais nomes ligados à transição energética. Apesar de ter sido recebida negativamente, a maior parte dos executivos não tinha expectativa de que o PT apresentasse uma lista muito diferente. “Foi dentro do esperado. Foi mais do mesmo, é a receita de 2003”, critica outro executivo.
Na prática, o anúncio da lista deixou claro, pelo menos num primeiro momento, que a área de Minas e Energia está sob a tutela total do PT. A julgar pelo enfoque, o partido não abriu nenhum tipo de concessão na escolha do time de transição.
Há rumores de que três executivos do mercado teriam sido sugeridos para compor o grupo, mas as indicações foram vetadas pela coordenação política da transição.
Avaliação
O anúncio da lista foi feito nesta quarta-feira (16), por Geraldo Alckmin, coordenador do processo de transição do governo PT. Além da equipe de Minas e Energia, foram revelados outros 15 grupos, ligados a outros segmentos da economia, como Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação e Trabalho.
Entre os poucos que receberam a escolha dos nomes sem críticas, está o consultor e sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires. O executivo afirma que a lista não causou surpresa e que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva optou por escolher nomes de sua confiança.
“Não me surpreendeu. O presidente Lula foi eleito e é mais do que normal que ele chame gente de confiança e que tenha trabalhado no PT. Não foi o Adriano que escolheu. Acho que ao colocar sindicalistas na lista pode assustar um pouco o mercado”, analisa Pires.
Outro defensor da lista é Sérgio Bacci, vice-presidente executivo do Sinaval, que considerou a escolha do governo acertada. Na sua avaliação, as listas de transição que estão sendo divulgadas envolvem, de forma geral, nomes de pessoas que entendem do assunto e a relação de Minas e Energia seguiu esse mesmo princípio.
“Do ponto de vista da indústria naval, ter a Magda Chambriard na equipe de transição é importantíssimo, pois ela conhece bem o setor e a necessidade de retomada da nossa indústria. A lista traz o nome do senador Jean Paul Prates, que conhece muito do setor, e o Deyvid Bacelar, que conhece a Petrobras por dentro”, avalia Bacci.
Na opinião do vice-presidente executivo do Sinaval, a lista de Minas e Energia foi muito bem elaborada, mas não seria possível agradar a toda a indústria.
“As pessoas que não gostaram, criticam porque tiveram seus projetos políticos derrotados. Elas queriam ver nomes como Pedro Parente e Roberto Castello Branco e essas pessoas não estariam na lista. A equipe é formada por pessoas que defenderam o projeto político vencedor. Quem ganha governa e quem perde faz oposição”, resume Bacci.
A apresentação das equipes foi realizada por Alckmin no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde foi instalado o gabinete de transição do governo Jair Bolsonaro para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo terá menos de 45 dias para trabalhar as principais proposições e recomendações para o governo para a área de Minas e Energia.
O grupo de Minas e Energia fará a primeira reunião na quinta-feira (16), no CCBB. A reunião ocorrerá junto com outras equipes de transição. A coordenação dos trabalhos deve ficar a cargo de Jean Paul Prates e Maurício Tolmasquim.
De acordo com Deyvid Bacelar, integrante do grupo, um dos grandes desafios do trabalho será obter um diagnóstico preciso dos setores de petróleo e gás, mineração e energia dos representantes do atual governo.
“Vamos depender da boa vontade e da demonstração do republicanismo daqueles que estão sendo os representantes do governo nesse processo”, afirma Bacelar.
Sobre os questionamentos em relação à escolha dos nomes, Bacelar afirma que a lista é bastante diversificada. “Há uma diversidade muito grande, com em todos os grupos da transição. O grupo é formado por pessoas de todas as áreas e tem pessoas mais próximas do setor privado”, analisa Bacelar.
Embora a indicação da lista sirva de primeira sinalização para o futuro do setor, é consenso tanto entre os críticos quanto entre os simpatizantes que nem todas as pessoas que estão na lista irão trabalhar no governo. Os nomes mais cotados para assumir posições no alto escalão da área de energia até o momento são os de Jean Paul Prates, Magda Chambriard e Maurício Tolmasquim. Há rumores também envolvendo o nome do governador da Bahia, Rui Costa.
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