Alocação dos fundos de pensão em renda variável cai em 2022, aponta levantamento

Segundo o levantamento, as empresas de previdência fechada optaram por reduzir ligeiramente o risco das carteiras em 2022

Os fundos de pensão, administrados pelas Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), reduziram a alocação em renda variável das carteiras de investimentos e aumentaram a participação no exterior, de acordo com estudo feito pela consultoria Mercer Brasil. As EFPC são instituições criadas para a gestão de planos de benefícios de natureza previdenciária.

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Segundo o levantamento, as empresas de previdência optaram por reduzir ligeiramente o risco das carteiras em 2022, aumentando a meta de alocação de planos de Benefício Definido (BD) em renda fixa e diminuindo nos segmentos mais voláteis.

Nos planos do tipo BD, o investidor sabe no momento da adesão o valor que será recebido ao final do investimento. Para garantir que esse valor seja alcançado, as contribuições ao longo do período de acumulação podem oscilar. Assim, se o fundo tiver um déficit, por exemplo, todos pagam por ele.

O estudo da Mercer apontou que, em 2022, foi registrado um crescimento de 13% no percentual de entidades que estão expandindo a participação em BD no exterior, se comparado a 2021. Além disso, cerca de 90% dos planos BD possuem títulos públicos, os quais representam acima de 70% das carteiras em 48% dos planos.

39% das empresas não oferecem perfil de investimento, contra 35% que já disponibilizam as opções de perfil de investimento. Dos que não oferecem, 26% já está avaliando a possibilidade de implementação. Situações de volatilidade ou bolsa com retorno negativo podem fazer com que aumente a demanda por perfis mais conservadores, o que explica a queda dos fundos de pensão em renda variável e ida para a renda fixa“, explica João Morais, diretor da área de alta renda da Mercer.

A outra opção, do tipo Contribuição Definida (CD), tem a lógica invertida. O total do benefício futuro é definido quando começa a ser pago ao investidor, de acordo com o saldo guardado por ele ao longo do período de acumulação. O valor é definido de acordo com as contribuições e da rentabilidade obtida com os investimentos realizados. Nessa modalidade, as contribuições não variam ao longo do tempo, mas não há uma certeza quanto ao valor do benefício.

Em relação a planos de CD, o estudo mostra que uma parcela importante das entidades também diminuiu o investimento em renda variável, aumentando em renda fixa. “A quantidade de plano CD vem aumentando e são maioria no Brasil. Mesmo assim, do ponto de vista de patrimônio, até por questões históricas, os BDs ainda representam maioria na indústria de previdência privada no país”, afirma Morais.

A pesquisa mostra, ainda, que os planos migraram do indexador IGP-M para o IPCA, atrelado à inflação, ao longo do tempo. “A gente considera que esse é um movimento positivo, por estar mais alinhado com a cesta de consumo do brasileiro, permitindo maior proteção da carteira e, consequentemente, um maior equilíbrio econômico e financeiro para os planos”.

“A grande quantidade de planos CDs, ainda que o patrimônio dos BDs seja maior, mostra uma perspectiva de crescimento do primeiro”, explica Maurício Martinelli, líder da área de investimentos da empresa.

https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/noticia/2022/10/10/alocacao-dos-fundos-de-pensao-em-renda-variavel-cai-em-2022-aponta-levantamento.ghtml

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