Conselheiro alerta sobre “alterações substantivas” na governança da Petrobras no período eleitoral

Representante de acionistas minoritários apontou que não havia justificava para a mudança de diretor-executivo de transformação digital e inovação e destacou que o cargo exige experiência em pesquisa e desenvolvimento

A Petrobrasdivulgou a ata da reunião do conselho de administração que aprovou a destituição do diretor-executivo de transformação digital e inovação, Juliano Dantas, e a eleição de Paulo Palaia para o cargo em 21 de setembro. Três conselheiros votaram contra a mudança, os representantes dos acionistas minoritários Francisco Petros e Marcelo Mesquita e a representante dos empregados Rosangela Buzanelli.

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Ao justificar o voto contrário, Petros ressaltou que a alteração na diretoria ocorreu durante o período eleitoral, o que, na visão dele, pode levar a “alterações substantivas na governança da companhia”.

“Creio que se trata de fator relevante para alterações desta ordem. Daí a necessidade de que esta indicação seja analisada do ponto de vista da conveniência e oportunidade”, disse.

O conselheiro apontou ainda que não havia justificava para a mudança na diretoria. Petros também ressaltou que Palaia é especializado em tecnologia da informação, mas que a diretoria de transformação digital e inovação é responsável pelo centro de pesquisa da Petrobras, o Cenpes, por isso, é necessário que o executivo que esteja à frente dessa área tenha experiência em pesquisa e desenvolvimento.

“Trata-se de uma diretoria com cerca de 3.500 funcionários e um orçamento de Pesquisa & Desenvolvimento & Inovação da ordem de R$ 3,2 bilhões. Uma área enorme e que poucos profissionais brasileiros podem liderá-la”, afirmou.

A conselheira Buzanelli também apontou preocupações com os rumos a serem dados ao Cenpes e à condução dos projetos de pesquisa e desenvolvimento com a alteração na diretoria.

“Tais expectativas para o candidato à DTDI [diretoria de transformação digital e inovação] exigem experiência e afinidade com o setor de petróleo ou com projetos de P&D [pesquisa e desenvolvimento] da complexidade dos abraçados pela Petrobras”, afirmou ao justificar o voto contrário.

Ela afirmou ainda que membros da alta administração e do conselho fiscal da Petrobras precisam de diploma ou certificado de pós-graduação. Palaia, no entanto, tem apenas um diploma de um curso de aperfeiçoamento em gestão estratégica de TI, pela UC Berkeley, na Califórnia (EUA).

A justificativa de Mesquita para votar contra a alteração não foi publicada na ata.

Os demais oito conselheiros da Petrobras aprovaram a mudança na diretoria.

A indicação de Palaia para a diretoria da Petrobras ocorreu no começo de setembro. O conselho de administração da estatal passou por uma reforma depois de uma assembleia de acionistas em 19 de agosto, no qual foram eleitos oito novos membros, sendo seis indicados da União e dois dos acionistas minoritários.

Na ocasião, dois candidatos da União que tiveram os nomes negados pelo Comitê de Elegibilidade (Celeg) da empresa por possível conflitos de interesse, Jônathas de Castro e Ricardo Alencar, foram eleitos. Também foi confirmado no conselho o atual presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, indicado pelo governo para lidar com a alta nos preços dos combustíveis.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/10/03/conselheiro-alerta-sobre-alteracoes-substantivas-na-governanca-da-petrobras-no-periodo-eleitoral.ghtml

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