Debate: Qual o rombo provocado pela corrupção citada pelos candidatos?

Para atingir Lula, presidenciáveis citam cifras diversas sobre a Petrobras e sobre governos do PT

No turbulento debate entre os candidatos à Presidência da República realizado pela TV Globo nesta quinta-feira, muitos números foram lançados à audiência para tratar de corrupção – seja em uma estatal, caso da Petrobras, para falar do saldo dos acordos de leniência firmados no âmbito da Operação Lava-Jato ou mesmo de forma genérica para se referir à gestão de governos do PT.

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Na maior parte das passagens, os candidatos não especificaram do que estavam tratando, o que dificulta a verificação dos números e o devido esclarecimento dos espectadores. No fim de 2021, a Petrobras comunicou oficialmente que o total de recursos devolvidos para a companhia via acordos de colaboração, leniência e repatriações era de R$ 6,17 bilhões.

Sete anos antes, em 2015, a Petrobras havia divulgado balanço contabilizando uma perda de R$ 6 bilhões com o esquema de corrupção investigado pela Lava Jato. O montante foi citado no debate, de maneira correta, pelo presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). “Delatores [da operação Lava Jato] devolveram R$ 6 bilhões”, afirmou.

No embate com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Felipe D’Ávila (Novo) afirmou que “120 bilhões de reais se perderam na corrupção” e questionou a capacidade do ex-presidente para voltar a comandar o país. “Como o senhor, se eleito presidente, vai comandar o país: como chefe de um governo que sabia desses R$ 120 bilhões que foram desviados ou como alguém incompetente que não sabia o que aconteceu?”.

Na resposta, o próprio Lula pediu que o candidato do Novo especificasse as fontes que comprovassem aquela informação. “Felipe, você pode pelo menos me dar uma fonte sua? Porque eu estou vendo aqui uma citação de números sem nem uma fonte, me dê uma fonte.”

“Te dou várias fontes Lula. R$ 300 milhões foram devolvidos aos cofres públicos por um diretor da Petrobras. R$ 110 milhões foi a conta deixada do rombo de Dilma Rousseff na eletricidade brasileira”, respondeu D’Avila, em uma conta que, obviamente, nem se aproxima do valor por ele citado anteriormente.

O Valor solicitou esclarecimentos à campanha do candidato e teve como resposta que o dado é oriundo de uma reportagem divulgada em 2017 pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a partir de uma conta feita pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor) da Polícia Federal, sobre a deflagração de 2.056 operações contra organizações criminosas que provocaram prejuízos estimados em R$ 123 bilhões ao país.

O montante, contudo, agrega valores de contratos fraudulentos, impostos sonegados, crimes financeiros e cibernéticos, verbas públicas desviadas e até mesmo danos ambientais causados por empresas, madeireiras e garimpos. O maior rombo ali apontado não foi apurado pela Lava-Jato, mas o causado pelas fraudes nos fundos de pensão investigadas na Operação Greenfield, que alcançam R$ 53,8 bilhões.

Em outro momento, Ciro Gomes (PDT)afirmou a D’Ávila: “A corrupção se generalizou de tal maneira que não dá para esconder, R$ 16 bilhões foram devolvidos. De onde vem essa montanha de dinheiro? Quando devolveram, disseram que roubaram durante o governo do PT, com conhecimento do Lula”. E completou. “É, disparado, o maior escândalo de corrupção desvendado da história do Brasil”.

É possível que Ciro estivesse se referindo a um levantamento do Ministério Público Federal no Paraná que mostra que, nos últimos sete anos foram fechados 43 acordos de leniência com empresas envolvidas em esquemas de corrupção. Estes acordos representam a recuperação de 24,5 bilhões de reais – valor maior que o citado pelo candidato. A assessoria de Ciro Gomes foi contatada e esta reportagem será atualizada quando houver resposta.

https://valor.globo.com/politica/eleicoes-2022/noticia/2022/09/30/qual-e-a-conta-da-corrupcao-citada-pelos-candidatos-no-debate-da-globo.ghtml

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