Pela primeira vez, companhia contrata grupo de cientistas de dados. Engenheiros ainda são maioria

O cientista de dados Eduardo Pereira é um dos 750 novos empregados da companhia, que ingressaram no segundo semestre — Foto: Leo Pinheiro/Valor
Depois de quatro anos sem contratar funcionários, a Petrobras voltou a receber novos profissionais neste segundo semestre. Em agosto, cerca de 400 trabalhadores ingressaram na companhia e, em setembro um novo grupo, com aproximadamente 350 pessoas, chegou à empresa, completando cerca de 750 novos empregados de diversas especialidades – todos aprovados no último concurso, que teve as provas em fevereiro.
Juliano Loureiro, gerente-executivo do RH da Petrobras, explica que a estratégia corporativa vinha buscando a reestruturação financeira da companhia, e não havia necessidade de expansão dos quadros – por isso os quatro anos sem contratações. “Hoje olhando os investimentos nos seus setores de escolha, como pré-sal e novos ativos a desenvolver, a companhia vai precisar de empregados e volta a pensar na entrada de pessoas.”
A Petrobras terminou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 54,33 bilhões, alta de 26,8% em comparação com o lucro de R$ 42,85 bilhões apurado no mesmo intervalo do ano anterior. Na última sexta-feira (22), as ações da Petrobras derreteram com o petróleo nas mínimas desde janeiro. Os papéis ordinários (PETR3) e preferenciais (PETR4) da estatal recuaram 7,06% e 6,26%, respectivamente, a R$ 32,90 e R$ 29,94. O petróleo vem registrando fortes perdas em meio a temores que uma desaceleração da economia global reduza a demanda por energia.
Loureiro comenta que o período sem contratações não implicou falta de pessoal, mas há, sim, um impacto na senioridade da força de trabalho, “e aí sim faz falta uma oxigenação no que diz respeito a pessoas mais jovens, com novos saberes, mais tecnológicos”.
Neste ano, pela primeira vez, a Petrobras abriu concurso para profissionais de ciência de dados, “carreira jovem na Petrobras”, diz Loureiro. Ele afirma que os cientistas de dados não são a maioria das novas contratações, que seguem sendo de engenheiros. “Mas chega um grupo que traz um novo mindset, com outras vivências do mercado.”
Eduardo Guimarães Pereira, 29 anos, é um dos cientista de dados que começaram a trabalhar na Petrobras recentemente. “Pela primeira vez a Petrobras disponibilizou vagas para o cargo de cientista de dados, o que se mostrou uma oportunidade em linha com o meu perfil e momento profissional”, diz.
Graduado em gestão financeira na Unicesumar, com pós-graduação em ciência de dados na PUC-MG e pós-graduação em administração pública pela Unicesumar, Pereira diz que desde criança foi incentivado pelos pais a buscar uma boa profissão por meio dos estudos. “O fato de poder ingressar na Petrobras através de um concurso estava em linha com esse pensamento.”
Antes de entrar na petroleira, Pereira foi servidor do Banco Central do Brasil por sete anos, onde trabalhou como coordenador de equipe e, nos últimos dois anos, como assessor pleno no departamento de estatísticas. “Nos últimos três anos trabalhei exclusivamente com assuntos relacionados a ciência de dados aplicados na produção de estatísticas do setor externo da economia”, diz. “Me desenvolvi como cientista de dados através de uma pós-graduação na área e também com formação por plataformas on-line, como o Coursera e o Datacamp.”
Com os novos entrantes, a Petrobras conseguiu atrair profissionais uma década mais jovens, em média, do que o perfil atual do quadro da companhia – que tem 40 anos ou mais. Os servidores que acabam de entrar têm, em média, 30 anos, diz Loureiro. Atualmente, a companhia tem 38.400 empregados. Os novos funcionários são um grupo bastante pequeno em relação ao todo, mas Loureiro diz que quando se espalham pelos negócios da empresa, “são formiguinhas, que trazem de maneira dispersa um modelo mental diferente”. “Essa uma década de diferença vai ajudar a encarar os problemas de forma diferente”, acredita.
A engenheira de processamento Mariana Tavares Condados, 23 anos, é uma dessas jovens profissionais que acabam de ingressar na Petrobras. Até então, ela atuava como estagiária na área de operações de uma termelétrica no Ceará, a Eneva. “Pedi a rescisão do meu contrato para ser contratada na Petrobras como engenheira de equipamentos júnior, meu primeiro emprego CLT”, diz.
O pai de Condados é petroleiro e desde criança ela tinha o sonho de ser engenheira da Petrobras. Natural de Mossoró (RN), fez engenharia mecânica na Universidade Federal do Ceará (UFC). “O meio da engenharia é muito masculino e muitas portas foram fechadas para mim, então resolvi estudar para concurso, pois nesse caso, meu gênero não iria importar.”
Outra jovem entrante da Petrobras é a engenheira de produção Dominique Santiago Godinho da Rocha, 28 anos, que tem admiração pela companhia. “Quando penso na maior empresa do Brasil e no sonho de todo engenheiro, o nome Petrobras vem imediatamente à minha cabeça”, conta. “Desde que entrei na faculdade de engenharia sonho em trabalhar na Petrobras. É uma gigante cheia de desafios, oportunidades de aprendizado e crescimento, além de possuir inúmeros benefícios.”
Rocha ingressou no mercado de trabalho em 2019, quando frequentou o programa de trainee da Nemak Alumínios. Atuou como trainee comercial durante dois anos e como analista de administração comercial por um ano. “Estar na Petrobras me dá a oportunidade de grande desenvolvimento profissional e pessoal, além de uma mescla de estabilidade e dinamismo que poucas companhias possuem”, comenta a jovem profissional, que espera ter experiências multidisciplinares e atuar na solução de problemas e otimização de processos dentro da empresa. “Vejo a Petrobras como uma empresa na qual poderei ter uma experiência profissional longeva e ao mesmo desafiadora, com diversas possibilidades.”
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