Superar o CDI, referência de juros de curto prazo, é mais do que esperado quando se investe em títulos públicos atrelados à inflação, que costumam ter mais volatilidade e, portanto, maior potencial de retorno. Mas, no Brasil da última década, esse tipo de exposição só foi vantajosa para quem ficou em uma cesta de ativos com vencimento em até cinco anos. Acima disso, sobraram volatilidades equivalentes às da bolsa e com retornos sensivelmente menores do que o posicionamento mais conservador. É o que mostra estudo da gestora Sparta.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A pesquisa considerou o índice de títulos públicos indexados ao IPCA mais conhecido, o IMA-B, composto por dois subíndices: o IMA-B 5, que acompanha o desempenho dos títulos com vencimento em até cinco anos, e o IMA-B 5+, dos papéis com prazo superior a isso. Entre junho de 2012 e junho de 2022, o IMA-B 5 teve retorno acima do CDI de 2,2% ao ano, com volatilidade anualizada de 3,1%. O IMA-B teve valorização de 1,9% e volatilidade de 7,6%, mais que o dobro de risco. O IMA-B 5 tem prazo médio de 1,9 ano. Já no IMA-B, o prazo médio é de 6,1 anos.
“Seria uma conclusão ousada dizer que o longo prazo não passa de cinco anos aqui, mas a ideia é mais ou menos essa”, diz Ulisses Nehmi, CEO da Sparta. “Quando você olha para os títulos mais curtos, o ‘print’ da inflação é mais relevante. No mais longo, depende da política fiscal, da governança do Brasil, de onde vão se estabilizar as taxas”, explica Luiz Sedrani, da BV Asset.
Para alguns especialistas, os problemas fiscais cada vez maiores no Brasil e os temores crescentes de uma recessão global também desestimulam, no momento, apostas de prazo maior em renda fixa.
Mas há quem faça ressalvas. Rafaela Vitória, do banco Inter, prefere os papéis atrelados ao IPCA com resgate acima de cinco anos para garantir por mais tempo os prêmios maiores: “Se o investidor fica num prazo de cinco anos e o papel vence, vai reinvestir numa taxa menor”. Para ela, o ideal é ter alguns papéis mais curtos e uma parcela nos mais longos.
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