O governo Bolsonaro quer que a mudança de diretoria na Petrobras seja resolvida nesta semana. E tem trabalhado para isso com as armas que possui. E não são poucas: a União é a controladora da estatal e está usando esta condição para impor sua vontade.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Na semana passada, um integrante do governo pressionou Ruy Schneider, integrante do conselho de administração e almirante da reserva, a renunciar.
A saída de Schneider é fundamental para que seja executado um plano de voo que anteciparia para esta semana as mudanças na diretoria, com a nomeação de Caio Paes de Andrade para a presidência da Petrobras.
O emissário de Jair Bolsonaro foi conversar com o conselheiro por sua condição de almirante da reserva e por ele ser também presidente do conselho da Eletrobras.
Schneider ficou de pensar. Mas já foi convocado para uma nova reunião em Brasília, que será realizada nos próximos dias. A pressão só cresce. Para o plano do governo funcionar, poderia ser, claro, outro conselheiro a renunciar, mas o fato é que a conversa foi diretamente com Schneider.
E qual é, afinal, esse plano? O ponto de partida seria a convocação pelo controlador (ou seja, o governo) de uma assembleia extraordinária do conselho que demitiria o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho.
Votos para isso o governo tem: dos onze conselheiros, seis foram indicados pelo Palácio do Planalto. Mas é possível que José Mauro Coelho, que além de presidente é também conselheiro da Petrobras, não queira votar a favor de sua própria destituição. Neste caso, já existem pelo menos dois conselheiros dispostos a votar a favor dessa proposta.
Um deles, é o investidor Juca Abdalla, o maior investidor pessoa física da estatal. Ele é dono de 2% da Petrobras. Diz Abdalla:
— Se o capitão precisar de apoio para estancar essa sangria, eu darei.
Com esses seis votos, Paes de Andrade seria alçado a diretor, assumiria interinamente a Petrobras e já começaria a tocar a empresa enquanto o processo seguiria o seu curso até ser concluído no prazo entre dois e três meses. Poderia, se for o caso, já mudar toda a diretoria.
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