Guedes foi intimado a depor em 1º de junho como declarante, ou seja, não investigado
O advogado do ministro Paulo Guedes, Ticiano Figueiredo, tentou marcar uma reunião fora da agenda com o procurador-geral da República, Augusto Aras, na quarta-feira. O tema era a possível dispensa do chefe da equipe econômica do governo de depor à Polícia Federal (PF).
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!O pedido de reunião foi divulgado pelo próprio Aras, em um ato falho. Ele publicou em seu status no WhatsApp uma mensagem que deveria ser enviada a um auxiliar.
“Seria possível receber o advogado do Paulo Guedes, o dr. Ticiano Figueiredo, por cinco minutos? Assunto: possível dispensa de Paulo Guedes, junto à PF, em processo investigativo contra Renan Calheiros, onde Guedes não é parte.”
Em outra mensagem, uma resposta: “Sim. Falaremos por celular e ajustaremos”.
Os textos foram excluídos por Aras na noite de quarta-feira, minutos após a publicação.
Procurada, a PGR disse que Aras recebeu o pedido de audiência com o advogado de Guedes e respondeu que “seriam tomadas as providências para checar a viabilidade de futura agenda”.
Guedes foi chamado para depor no âmbito de um inquérito contra o senador Renan Calheiros (MDB-AL) por supostas fraudes no Postalis, fundo de pensão dos Correios.
A investigação que mira Calheiros tem origem no acordo de colaboração premiada de um ex-executivo da Hypermarcas, atual Hypera Pharma, assinado pela PGR na gestão do então procurador-geral Rodrigo Janot.
A apuração foi aberta em 2017 e mira a relação do senador com Milton Lyra, apontado pelos investigadores como lobista de integrantes do MDB no Postalis.
Guedes foi intimado a depor em 1º de junho como declarante, ou seja, não investigado.
No dia 12, a defesa do ministro entrou no Supremo com um pedido para evitar que Guedes tenha de prestar o depoimento.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) foi intimada nesta quarta-feira pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, a se manifestar “com urgência” sobre o pedido.
No documento enviado ao STF, Ticiano diz que Guedes não é citado em nenhuma página dos autos do processo nem foi incluído pelo Ministério Público Federal no rol de testemunhas ou investigados cujo depoimento seria relevante para o avanço das investigações.
“A intimação para prestar depoimento perante a Polícia Federal, ainda que na qualidade de ‘não investigado’, causa constrangimento -sobretudo no caso dos autos, por se tratar de pessoa da alta administração pública- e demanda a observância de determinadas balizas”, disse o advogado ao Supremo.
A PF, diz a manifestação da defesa, não deu informações sobre o motivo da intimação e não forneceu cópia das partes do inquérito que justificam o depoimento do ministro.
“Ou seja, o peticionário é intimado para prestar um depoimento sobre fatos que desconhece, sem saber também qual o motivo de sua convocação.”
Procurado, o advogado Ticiano Figueiredo não se manifestou.
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