Funcef aposta mais em títulos e menos em imóveis

Fundo de pensão da Caixa tenta cumprir meta atuarial e assim contribuir para reduzir déficit acumulado de mais de R$ 20 bi

A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, aposta na ampliação dos investimentos em títulos públicos e privados e na redução da carteira de imóveis neste ano para tentar assegurar o cumprimento da meta atuarial (INPC mais taxa de juros) e, dessa forma, contribuir para a redução do déficit acumulado do fundo, que ultrapassa a marca dos R$ 20 bilhões. Somente em 2021, o resultado negativo chegou a R$ 2,871 bilhões.

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“Quando a taxa de juros passou a bater a meta atuarial, fizemos movimento de saída da renda variável para a fixa comprando títulos públicos”, disse o diretor-presidente da Funcef, Gilson Costa de Santana, ao Valor. “Estamos aproveitando a janela de oportunidade e saindo da renda variável para a fixa”, ressaltou.

Santana afirmou que também está nos planos do fundo investir, se houver um momento oportuno, no mercado externo. O fundo quer ainda ofertar novos produtos aos participantes, como o chamado “perfis de investimento”. Isso permite ao participante escolher qual risco está disposto a tomar na aplicação de sua poupança para a aposentadoria. No caso dos “perfis de investimento”, que já é oferecido por outros fundos de pensão, a ideia é que seja implementado até o final do terceiro trimestre.

Segundo o diretor-presidente, a estratégia prevista na política de investimento para os anos de 2022 a 2026 é aproveitar o atual ciclo de alta da taxas de juros para migrar parcela de renda variável para a carteira de renda fixa, reduzindo riscos. Esse movimento já vem sendo feito. De 2020 para 2021, por exemplo, as aplicações em títulos públicos saltaram de 56,34% dos ativos para 60,98%. Os investimentos imobiliários recuaram de 7,37% para 6,74% da carteira. Já as aplicações em renda variável passaram de 30,24% para 26,46% no período.

Mesmo com essa mudança na composição, a rentabilidade da carteira consolidada de investimentos foi de 9,28%, ou seja, ainda inferior à meta atuarial de 15,12%, puxando o resultado de 2021 para o vermelho.

“Quando tem uma rentabilidade que não alcança a meta atuarial, normalmente, você gera o déficit. Não quer dizer que o plano está insolvente, que o plano tem dificuldade de pagar benefício. Não é nada disso”, afirmou o diretor-presidente.

Santana explicou que a meta atuarial do ano passado não foi atingida devido ao forte aumento da inflação. Além disso, os investimentos imobiliários tiveram uma performance aquém do desejado devido aos efeitos da pandemia. Muitos imóveis, como shoppings, hotéis e salas comerciais, ficaram fechados e foram devolvidos, impactando o retorno desse investimento para o fundo, apontou.

Sem antecipar números, Santana disse que houve uma significativa melhora do resultado do fundo no primeiro trimestre.

O fundo acumula um déficit de mais de R$ 20 bilhões, concentrado em planos antigos, e os participantes – funcionários e aposentados – e a Caixa têm feito contribuições extras para ajudar a equacionar o resultado negativo. Um alívio nas contribuições extraordinárias virá neste mês. Uma nova avaliação atuarial permitiu um corte médio permanente nas taxas dos equacionamentos de 2015 e 2016 de 76% para ativos e de 70% para aposentados e pensionistas a partir da folha de pagamento de abril, com efeito retroativo a fevereiro.

https://valor.globo.com/financas/noticia/2022/04/22/funcef-aposta-mais-em-titulos-e-menos-em-imoveis.ghtml

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