Empresas de recomendação de voto ISS e Glass Lewis sugeriram a investidores estrangeiros que não votassem em Landim na Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGOE)
O risco de questionamentos e a falta de apoio de investidores minoritários podem ajudar a entender a desistência do presidente do Clube de Regatas do Flamengo (CRF), Rodolfo Landim, da cadeira de “chairman” no conselho de administração da Petrobras.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!O Valor apurou que, nos últimos dias, as empresas de recomendação de voto ISS e Glass Lewis sugeriram a investidores estrangeiros não votar em Landim na Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGOE) da Petrobras, que vai eleger o novo conselho, no dia 13 deste mês.
ISS e Glass Lewis são as principais empresas de recomendação de voto a investidores estrangeiros. Grandes gestoras costumam apoiar-se nos relatórios dessas duas companhias para votar em assembleias de empresas abertas.
A recomendação de voto não significa que o investidor seja obrigado a segui-la, mas, como muitas vezes o gestor tem um portfólio grande de ações em carteira, ele prefere seguir as indicações dadas por ISS e Glass Lewis sobre como votar nas assembleias de empresas.
O Valor apurou que, em um dos relatórios de recomendação de voto, por exemplo, foram levantadas preocupações em relação à governança da Petrobras com o fato de que Landim foi denunciado, pelo Ministério Público Federal (MPF), no ano passado, por suposta gestão fraudulenta em fundo de investimento que teria causado prejuízo à Petros, o fundo de pensão dos empregados da Petrobras, e outros fundos de pensão estatais. A denúncia se transformou em uma ação penal que tramita na 10ª Federal de Brasília.
Nos bastidores que antecedem à realização da assembleia da Petrobras daqui a dez dias, também há informações de que investidores minoritários da companhia poderiam vir a entrar com ações judiciais para impedir a posse de Landim, caso ele viesse a ser eleito na assembleia dado o processo que enfrenta na Justiça.
Procurado pelo Valor, Landim recusou entrevista e disse ‘razões da desistência estão na nota do Flamengo’. A desistência da candidatura a presidente do conselho também pode ter ajudado o trabalho do Comitê de Pessoas (COPE), da Petrobras.
O COPE é um órgão estatuário, previsto na Lei das Estatais (13.303/2016), encarregado de analisar as qualificações dos candidatos aos cargos. O comitê é encarregado de verificar a conformidade do processo de indicação de membros da diretoria-executiva da petroleira e assessora a companhia em processos de seleção de administradores e conselheiros.
Como noticiou o Valor na terça-feira (29), nenhum nome passou pelo crivo do COPE até agora. Essa análise está prevista para ocorrer somente na terça-feira (5), faltando uma semana para a assembleia da Petrobras e, se havia possíveis desconformidades na indicação de Landim em relação à Lei das Estatais, o próprio executivo se encarregou de resolver o problema, retirando a candidatura.
“O COPE está atuando para inglês ver”, disse uma fonte próxima da Petrobras. Para pessoas que participam do processo eleitoral na empresa, Landim pode ter feito cálculos até onde as reclamações contra ele iriam caso assumisse a vaga de “chairman” da estatal, uma vez que havia risco de escalada de questionamentos judiciais por investidores e outras partes relacionadas com a companhia. “Ele poderia acabar ficando sem nada”, avaliou interlocutor.
A crise no Flamengo pode ser outro elemento nessa equação. A desistência da candidatura veio na madrugada deste domingo (3) após o time de futebol perder o título de campeão carioca para o Fluminense, que não levantava a taça do estadual há dez anos.
Na madrugada, o Flamengo divulgou nota oficial na qual Landim informa que resolveu abrir mão da indicação, feita pela União, do nome dele à presidência do conselho de administração da empresa. Na nota diz que vai dedicar todo seu tempo ao fortalecimento do Flamengo.
Agora, a União deve indicar outro nome, na chapa do controlador, para substituir Landim. A União indicou oito nomes, incluindo o presidente do Flamengo. Faltando nove meses para o fim do mandato do governo Jair Bolsonaro, há quem entenda que uma solução, neste momento, seria indicar para “chairman” da Petrobras um nome que já está no conselho.
Até a desistência de Landim, houve outra troca na lista da chapa da União para a Petrobras com vistas a eleição do dia 13. Depois de apresentar em março a primeira lista de candidatos, com Landim como “chairman” em substituição ao almirante Eduardo Bacellar, a União teve que refazer a nominata depois de Bolsonaro demitir o atual presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, e indicar Adriano Pires para substitui-lo. Luna permanece no cargo até o dia 13.
Na troca de Silva e Luna por Pires saiu também da lista da União o nome de Murilo Marroquim, que foi trocado pela indicação de Eduardo Karrer, que teria sido sugestão do próprio Landim. Ambos trabalharam juntos na época do Grupo X, o conglomerado de Eike Batista que ruiu depois dos fracassos exploratórios na produção de petróleo e gás.
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