Para Previ, o jogo na BRF só acaba quando termina

Fundação resiste a entregar todo conselho à chapa de Marcos Molina e quer um lugar à mesa

Os acionistas e analistas da BRF já deveriam saber de cor e salteado. Na dona da Sadia, uma assembleia nunca é um evento previsível. A Previ, uma acionista de três décadas que começou a investir ainda nos tempos de Perdigão, não aceitou ficar sem uma vaga no conselho de administração.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

Numa manifestação pela manhã, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil fez valer o direito de sua posição acionária (6,13%), obrigando a adoção do voto múltiplo na assembleia que elegerá o conselho da BRF na segunda-feira, às 11h.

“Ao pedir o voto múltiplo, nosso objetivo é construir um colegiado robusto, diverso e com legitimidade para elaborar as estratégias necessárias para a geração de valor a todos os acionistas, colaboradores, fornecedores, clientes, comunidades, ou seja, a sociedade de uma forma geral”, disse a Previ, em nota.

A estratégia da Previ dificulta o plano de Marcos Molina de eleger a chapa completa de 10 membros do conselho, consolidando a Marfrig como controladora de fato da BRF. O fundo de pensão bem que tentou negociar uma vaga na chapa que seria proposta pela Marfrig, mas não conseguiu, disseram duas fontes. Na negociação, só conseguiu o apoio para uma indicada ao conselho fiscal.

Mas a missão da Previ também não é exatamente simples. No máximo, conseguirá emplacar uma vaga no conselho, o que não muda o quadro geral para a Marfrig — fazer 100% da chapa, claro, seria um sinal inequívoco da nova era na BRF.

Para a Previ, há outros riscos embutidos. Diante do apoio do mercado à chapa proposta pela Marfrig — o colegiado terá Molina de presidência e Sergio Rial de vice —, o fundo de pensão pode até sair da assembleia sem nada. Considerando a abstenção média das últimas assembleias da BRF — em janeiro, quase 85% dos acionistas participaram do encontro que aprovou o follow-on —, a Previ precisará de algo ao redor de 8% para eleger um conselheiro.

Daniel Stieler, presidente da Previ: Fundação quer eleger um membro para o conselho da BRF — Foto: Leo Pinheiro/Valor

Daniel Stieler, presidente da Previ: Fundação quer eleger um membro para o conselho da BRF — Foto: Leo Pinheiro/Valor

Acionistas relevantes já se manifestaram favoravelmente à chapa, enviando o voto a distância, apurou o Pipeline. No boletim voto a distância, já há a previsão para a hipótese do voto múltiplo — nesse caso, o investidor tende a distribui os votos nos nomes da chapa já disponíveis.

A Kapitalo, gestora de Carlos Woelz que detém pouco mais de 5% dos papéis, é uma das que votou favoravelmente. As agências internacionais de recomendação de voto ISS e Glass Lewis também emitiram relatórios favoráveis. Atualmente, 20% do capital da BRF está distribuído em ADRs.

Ao que tudo indica, nem mesmo a Petros, que seria uma parceria óbvia da Previ na assembleia, marchará ao lado. Numa dessas idiossincrasias que só acontecem na BRF, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras também já deu voto favorável à chapa da Marfrig. A posição favorável da Petros acontece mesmo depois do salseiro no follow-on, quando a fundação ameaçou judicializar o processo se a Marfrig ultrapassasse os 33,3%. Funcionou.

Em tese, a Petros pode chegar na assembleia de segunda-feira e mudar os votos. Para isso, precisa aprovar a mudança em seus comitês internos de governança, justificando as razões. Como a Previ sequer indicou o nome que levará para a disputa — o que só deve ser conhecido na segunda-feira, segundo reportagem de Francisco Góes, chefe da sucursal do Valor no Rio —, pode ser mais difícil.

A tática da Previ para o investimento em BRF também desperta curiosidade no mercado. No ano passado, a fundação se desfez de parte de sua posição, vendendo para a própria Marfrig, por R$ 28. Neste ano, se absteve da votação que aprovou o follow-on, mas acompanhou a operação para não ser diluída, com um aporte de R$ 350 milhões. “Afinal, a Previ é vendedora?”, indaga uma fonte.

Para quem acompanha as assembleias da BRF, também não será surpresa se a Previ estiver apenas tomando uma atitude preventiva, evitando problemas de governança interna. Nessa hipótese, a fundação cumpriria com o dever fiduciário mesmo se não emplacar um conselheiro, uma questão que se tornou ainda mais importante desde a semana passada, quando o colunista Lauro Jardim, de O Globo, revelou que uma denúncia anônima sobre o aporte da Previ na BRF virou uma investigação.

Há quatro anos, a assembleia que elegeu Pedro Parente como chairman da BRF levou mais de 10 horas, com confusões sobre voto múltiplo e o ex-ministro Luiz Fernando Furlan tentando emplacar Vicente Falconi no lugar de um dos membros da chapa de consenso.

Daquela vez, a tumultuada assembleia de Itajaí (SC) terminou pacificamente — a chapa de consenso foi eleita, nas modalidades com e sem voto múltiplo — e Furlan ainda sugeriu que Parente fosse eleito por aclamação, em nome da pacificação. A história vai se repetir?

https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/para-previ-o-jogo-na-brf-so-acaba-quando-termina.ghtml

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading