Após a Petrobras anunciar aumentos nos preços dos diesel, gasolina e gás de cozinha, o Senado aprova, nesta quinta-feira (10/3), dois projetos para reduzir o impacto dos preços dos combustíveis para os consumidores. Além da criação de auxílios, foram feitas mudanças no ICMS desses produtos.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Primeiro, por 61 votos a oito, o Senado aprovou o PL 1472/2021, que cria a Conta de Estabilização de Preços de Combustíveis, prevê um auxílio-gasolina e amplia o vale-gás.
O acordo para a aprovação do projeto levou à previsão no texto de um auxílio-gasolina voltado preferencialmente a beneficiários do Auxílio Brasil, com valores de R$ 300 mensais para motoristas autônomos e taxistas, pilotos de pequenas embarcações e motociclistas de aplicativo, e de R$ 100 para condutores de motos de até 125 cilindradas.
O relator, Jean Paul Prates (PT-RN), defendeu a conta de estabilização como a medida mais efetiva para frear o avanço dos preços. “Tudo mais é acessório a essa conta de estabilização”, disse o senador.
Agora, o PL 1472/2021 segue para a Câmara dos Deputados – leia o texto aprovado na íntegra. Ainda na sessão de hoje, os senadores vão analisar o PLP 11/2020, que modifica regras de tributação dos combustíveis.
Principais pontos do texto que cria o auxílio-gasolina
– Atribui ao Executivo a regulamentação e implementação, ouvida a ANP (Agência Nacional do Petróleo), das bandas móveis de preços com a finalidade de estabelecer limites para variação de preços dos combustíveis.
– Cria a Conta de Estabilização de Preços de Combustíveis (CEP–Combustíveis), sob gestão do Executivo, para operar o sistema de bandas de preços. A conta terá como fonte inicial de recursos as receitas da União provenientes da indústria do petróleo.
– Modifica a Lei do Petróleo (Lei 9478/1997) para fixar princípios à política de preços dos derivados de petróleo como a proteção dos interesses do consumidor e o estímulo à utilização da capacidade instalada das refinarias e à ampliação do parque de refino nacional.
– Estabelece que os preços internos dos combustíveis derivados de petróleo e do GLP devem ter como referência as cotações médias do mercado internacional, os custos internos de produção e os custos de importação.
– Prevê que parte dos lucros da Petrobras deve ser destinada a medidas para mitigar a volatilidade de preços dos combustíveis e do GLP.
– Amplia a população atendida pelo auxílio Gás dos Brasileiros para ao menos 11 milhões de famílias e fixa como fonte de receita para a ampliação das receitas da União com os bônus de assinatura referentes aos blocos do pré-sal de Sépia e Atapu.
– Cria o auxílio-gasolina, limitado a R$ 3 bilhões e condicionado à disponibilidade orçamentária e financeira.
Projeto sobre ICMS dos combustíveis é aprovado no Senado
Nesta quinta-feira (10/3), também foi aprovado pelo Senado, por 68 votos a 1, o PLP 11/2020, que regulamenta a monofasia do ICMS sobre os combustíveis. Assim, a cobrança do imposto é feita uma única vez na produção ou importação dos produtos. Também permite a adoção de alíquotas que incidem por unidade de medida e não pelo valor da operação. Leia na íntegra o texto aprovado.
Resta ainda a deliberação sobre um destaque do Podemos, que pediu para que fossem votados separadamente os dispositivos que permitem a desoneração sem compensação fiscal do diesel, biodiesel, querosene de aviação, GLP e gás natural, e também zeram até 31 de dezembro as alíquotas de PIS/Cofins (interno e importação) sobre esses combustíveis. A tendência é que seja rejeitado.
A aprovação do projeto com a manutenção do texto negociado com o governo, mesmo em dia de reajuste de preços pela Petrobras, indica que o Planalto conseguiu resistir a pressões e manter a redação idealizada pela equipe econômica antes da turbulência provocada pela guerra na Ucrânia. A expectativa é de que o texto tenha ampla aceitação na Câmara e seja aprovado sem dificuldade.
A Câmara dos Deputados convocou sessão para esta noite com o objetivo de analisar o texto aprovado no Senado. Se passar na Câmara, o projeto vai à sanção presidencial.
Principais pontos do texto que uniformiza ICMS dos combustíveis
– A implementação da monofasia prevista no projeto não é uma imposição aos estados. Caberá aos entes federados decidirem pela adesão ao sistema monofásico.
– A exceção é a criação de uma regra de transição para o diesel, com a fixação do valor de referência para tributação do combustível. A distinção ao diesel foi justificada pelo potencial inflacionário das altas no combustível.
– A regra de transição do diesel prevê que enquanto não for adotada a monofasia, e a correspondente unificação de alíquota, o valor de referência para estipulação do tributo será a média móvel dos preços médios praticados ao consumidor final nos 60 meses anteriores.
– A posterior regulamentação do ICMS dos combustíveis pelos estados e Distrito Federal deverá adotar alíquotas uniformes em todo o país, que podem ser diferenciadas por produto, e especificadas por unidade de medida adotada (ad rem), como por exemplo em reais por litro.
https://www.jota.info/legislativo/auxilio-gasolina-senado-aprova-vale-gas-10032022
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