Transição ‘sem ruídos’ na BRF

Após quatro anos, chairman vai deixar a companhia em melhor situação financeira do que encontrou

A passagem de bastão de Pedro Parentepara Marcos Molina como chairman da BRFnão marcará apenas o início da era Marfrig, mas também a primeira transição tranquila desde que a companhia foi criada em 2009, a partir da incorporação da Sadia pela Perdigão.

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Parente encerra um ciclo de quatro anos na BRF com a sensação de dever cumprido, o que não é nada trivial considerando o histórico conturbado do negócio, desde a movimentação de Abilio Diniz e Tarpon para retirar Nildemar Secchesaté a ofensiva dos fundos de pensão para destituir Abilio.

Procurado pelo Pipeline, Parente comentou a decisão, tomada ontem pela BRF, de aprovar a indicação da chapa de dez nomes proposta pela Marfrig para o conselho de administração. “Sob o ponto de vista institucional, é uma demonstração de maturidade. Uma transição sem ruídos nem desavenças com o novo acionista que está chegando e com um time que é muito bom”.

Conduzida por Parente e Dan Ioschpe – membro do atual board -, a costura para a montagem do próximo conselho da BRF começou ainda antes das discussões em torno do follow-on com o qual a BRF captou R$ 5,4 bilhões. Parente e Ioschpe foram incumbidos pelo comitê de pessoas do conselho da BRF de organizar a montagem do próximo conselho, que será eleito em 28 de março.

Parente avisou que não pretendia continuar e engatou as conversas com os principais acionistas, a começar por Marcos Molina – a Marfrig é a maior acionista, com 33%. Petros e Previ também foram ouvidos. Inicialmente, o empresário não deu uma resposta taxativa.

“O Marcos é muito cuidadoso. Era apropriado deixá-lo à vontade para fazer uma proposta”. Depois do follow-on, as conversas com a Marfrig sobre o tema foram retomadas. Foi quando a companhia indicou que pretendia apresentar uma chapa.

“Eu e o Dan que achávamos legítimo que ele enviasse a chapa. Sendo uma boa chapa, não teria dúvida de propor ao conselho que aceitasse. E não há o que dizer da chapa. A chapa é muito boa”, diz Parente, citando nominalmente as experiências de Sergio Rial, Pedro de Camargo Neto e Oscar Bernardes. Na visão de Parente, a BRF pode agora entrar em um novo momento, “excepcional”.

Ao deixar a BRF, Parente entregará uma companhia mais saudável financeiramente, assim como fizera na Petrobras. Nos últimos quatros anos, a estrutura de capital da dona da Sadia foi equacionada com um turnaround que inclui venda de ativos no exterior e alongamento de dívidas, o que tirou a BRF de uma alavancagem que já passou de 6 vezes.

Nos últimos tempos, os analistas e a própria BRF ainda não estavam confortáveis com os níveis de endividamento, um problema que acabou solucionado com o follow-on, reduzindo o índice de alavancagem de 3,12 vezes para 2,17 vezes. “Com o follow-on, a estrutura de capital ficou super arrumada”, diz.

Além da posição de chairman, Parente também foi CEO da dona da Sadia, cadeira que ocupou por um ano até transmitir a função para Lorival Luz, dupla que ficou conhecida internamente como LL&PP. A partir de agora, Luz terá uma nova dobradinha com Molina – LL&MM.

https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2022/02/24/pipeline-transicao-sem-ruidos-na-brf.ghtml

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