Na estratégia de “imunização da carteira”, voltam a ganhar força os títulos públicos
A Previ, maior fundo de pensão do Brasil, mantém a estratégia de reduzir a exposição à renda variável de seu maior plano e se voltar à compra de títulos públicos para manter a estratégia de “imunização da carteira”. Só em 2021, foram quase R$ 20 bilhões neste processo no chamado Plano 1, de benefício definido.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!No sentido contrário, o plano mais novo, Previ Futuro, está em fase de acumulação e tende a aumentar a sua diversificação. Hoje, tem um patrimônio de quase R$ 23 bilhões e pode praticamente dobrar até 2028.
Uma das estratégias é aumentar a exposição em ativos no exterior e também em BDRs, os recebidos de ações estrangeiras negociados localmente.
Essas são algumas das definições da nova política de investimentos da fundação dos funcionários do Banco do Brasil (BB), que é revisada a cada ano para um horizonte de sete anos, válida para o ciclo 2022-2028.
O Plano 1 concentra as maiores participações da fundação, caso por exemplo de Vale. “Aproveitamos as taxas dos títulos públicos quando vemos a abertura das taxas, comprando títulos de longuíssimo prazo”, afirma a diretora de planejamento, Paula Goto. Desde que focou neste trabalho, a entidade vendeu mais de R$ 50 bilhões em participações de mais de 30 empresas. Somente no ano passado, chegou a quase R$ 20 bilhões. A grande maioria dos recursos foi reaplicada em títulos públicos.
Em 2021, a estratégia reduziu o impacto da crise nos investimentos em quase R$ 15 bilhões. A Previ já mira as NTN-Bs com vencimento em 2060, que tiveram os leilões iniciados em janeiro.
“Estamos com praticamente dois terços da carteira do Plano 1 completamente imunizados. Além dessa parcela de renda fixa, os ativos imobiliários têm altíssima relação com o passivo, junto com os empréstimos a participantes. Isso nos dá folga para buscar gerar alfa para o outro terço e fazer diversificação”, diz o diretor de investimentos Marcelo Wagner, citando por exemplo renda variável, exterior e multimercados.
Na Previ, até outubro, o déficit chegou a R$ 2,3 bilhões, mas o resultado positivo de R$ 407 milhões em novembro ajudou a atenuar as perdas para R$ 1,8 bilhão no Plano 1. Os investimentos do plano como um todo tiveram valorização de 5,46%, ante um objetivo de 14,11% no acumulado de onze meses de 2021.
No ano passado, a Previ fez um estudo sobre o portfólio imobiliário, que atualmente está sob análise do conselho deliberativo. Pelas regras atuais, os fundos de pensão não poderão investir diretamente em imóveis e precisam vender os ativos da carteira atual ou transformá-los em fundos exclusivos. “Fizemos um diagnóstico do estoque da carteira e o assunto será desenvolvido em 2022”, afirma Wagner.
Segundo ele, foi definida uma parte do portfólio que tem menos aderência à carteira e será vendida nos próximos anos. Os recursos serão reinvestidos em ativos imobiliários, como fundos ou certificados de recebíveis imobiliários (CRIs). Outros ativos da carteira considerados mais estratégicos serão mantidos e podem ser transformados em fundos exclusivos. A Previ também olha novos vetores de fundos imobiliários, como os de infraestrutura ou de logística.
No Previ Futuro, a lógica se inverte e o objetivo é aumentar a tolerância ao risco. Assim, uma das medidas da nova política foi aumentar o limite máximo de alocação em investimentos no exterior, de 3% para 8%. “O Previ Futuro vai ter uma alocação proporcionalmente maior no exterior. Queremos que as pessoas possam capturar ganhos de coisas que estão acontecendo no resto do mundo. As estratégias de renda variável são mais diversificadas”, afirma Wagner. Seguindo o exemplo das outras estratégias, a montagem do portfólio será realizada de forma paulatina, acrescenta. No momento, está sendo discutida uma nova alocação no exterior de R$ 200 milhões, valor que corresponde a uma fatia de quase 1% do plano. Hoje, a carteira tem cerca de R$ 300 milhões alocados em investimentos no exterior. A opção de aplicação em BDRs também está no radar. Pelo entendimento da CVM, seguido pela Previc, são considerados investimentos em renda variável local.
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