Disparam as expectativas do mercado para a inflação e a Selic em 2021 e 2022

As projeções estão no Relatório Focus do Banco Central desta segunda-feira (25), que aponta as estimativas do mercado para os principais indicadores econômicos do país

A expectativa do mercado financeiro para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) disparou de 8,69% para 8,96% em 2021 e de 4,18% para 4,40% em 2022.

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As projeções estão no Relatório Focus do Banco Central desta segunda-feira (25), que aponta a mediana das estimativas do mercado para os principais indicadores econômicos do país.

A meta de inflação a ser perseguida pelo BC é de 3,75% em 2021 e 3,50% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, as expectativas são de inflação acima da meta.

Na semana passada, as movimentações que indicavam a flexibilização do teto de gastos agitaram o mercado. O presidente Jair Bolsonaro quer bancar R$ 400 para 17 milhões de famílias por meio do Auxílio Brasil, que vai substituir o Bolsa Família, além do “auxílio diesel”, também de R$ 400, para 750 mil caminhoneiros.

Para isso, espera que o Congresso aprove a PEC dos Precatórios, que vai liberar de R$ 83 bilhões a R$ 95 bilhões a mais no ano que vem no orçamento, além de R$ 15 bilhões neste ano. A proposta de emenda constitucional já foi aprovada em comissão na Câmara e está prevista para ser votada em plenário amanhã, terça-feira (26). Depois, a proposta ainda segue para o Senado.

A expectativa do mercado para a Selic, a taxa básica de juros da economia, saltou de 8,25% para 8,75% no fim de 2021 e de 8,75% para 9,50% no final de 2022.

Uma das consequências do drible do governo e do Congresso no teto de gastos deve ser uma alta mais dura da Selic pelo Copom na quarta-feira (27), conforme as projeções do mercado. Antes, as apostas se concentravam em aumento de um ponto percentual da taxa básica de juros, de 6,25% ao ano para 7,25% ao ano. Agora, a dúvida é se a elevação será de 1,25, para 7,50% ao ano, ou de 1,50, para 7,75% ao ano.

O mercado diminuiu a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), que mede o crescimento da economia brasileira, de 5,01% para 4,97% em 2021 e de 1,50% para 1,40% em 2022.

O PIB brasileiro encolheu 0,1% no segundo trimestre, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no começo de setembro. A mediana das estimativas coletadas pelo Valor Data junto a 61 consultorias e instituições financeiras apontava para uma alta de 0,2% no período, com intervalo das estimativas entre baixa de 0,3% e elevação de 0,8%. Ou seja, a economia teve um desempenho bem pior do que o esperado.

A projeção do mercado para o dólar também aumentou. Segundo o relatório, disparou de R$ 5,25 para R$ 5,45 no fim deste ano e no final do ano que vem.

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2021/10/25/disparam-as-expectativas-do-mercado-para-a-inflacao-e-a-selic-em-2021-e-2022.ghtml

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