Foi a maior inflação para meses de setembro desde 1994. O maior impacto saiu do grupo Habitação, onde se destaca a alta de energia elétrica, de 6,47%
A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 1,16% em setembro, após alta de 0,87% em agosto. É o maior resultado para o mês desde 1994 – quando a variação foi de 1,53%, logo depois do lançamento do Plano Real. Em setembro de 2020, o IPCA teve inflação de 0,64%.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Já o resultado acumulado em 12 meses atingiu a marca de dois dígitos, com variação de 10,25%. É a maior taxa em 12 meses desde fevereiro de 2016 (10,36%) As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa de setembro também é o maior resultado mensal desde dezembro de 2020 (1,35%). Apesar disso, o resultado ficou abaixo da mediana das projeções de 38 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data, de um avanço de 1,25%. O percentual ficou dentro do intervalo das projeções, que iam de 1,13% a 1,42%.
O maior impacto (0,41 ponto percentual) e a maior variação (2,56%) vieram do grupo Habitação, que acelerou em relação a agosto (0,68%). Dentro do grupo aparece a alta de energia elétrica, de 6,47%.
Pelo indicador acumulado em 12 meses, o IPCA ficou em 10,25% em setembro, ante 9,68% acumulados até agosto. O resultado ficou muito acima do centro da meta inflacionária estabelecida pelo Banco Central (BC) de 3,75% para 2021 – sendo que a meta tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos. Para o resultado acumulado em 12 meses, a mediana das estimativas do Valor Data era de 10,34%, com projeções entre 10,21% e 10,53%.
O IBGE calcula a inflação oficial brasileira com base na cesta de consumo das famílias com rendimento de uma 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.
Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, três tiveram aceleração na passagem entre agosto e setembro de 2021. Foram observadas taxas maiores de inflação, na passagem entre julho e agosto em habitação (de 0,68% para 2,56%), transportes (de 1,46% para 1,82%) e saúde e cuidados pessoais (de -0,04% para 0,39%).
Por outro lado, foram observadas taxas menores em alimentação e bebidas (de 1,39% para 1,02%), artigos de residência (de 0,99% para 0,90%), vestuário (de 1,02% para 0,31%), despesas pessoais (de 0,64% para 0,56%), educação (de 0,28% para -0,01%) e comunicação (de 0,23% para 0,07%).
Individualmente, o maior impacto veio de energia elétrica, que subiu 6,47% (representando 0,31 ponto percentual da taxa geral de 1,16%) com o início da bandeira de escassez hídrica, que passou a valer em setembro. A segunda maior influência veio da gasolina, com alta de 2,32% e impacto de 0,14 ponto percentual.
Com a taxa de setembro, o preço da energia elétrica já subiu 17,76% em 2021 e 28,83% nos 12 meses encerrados em setembro.
Para lidar com a crise hídrica, foi criada uma nova bandeira tarifária para a energia elétrica, ainda mais cara que a vermelha 2. A bandeira escassez hídrica acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. Em agosto, a bandeira vigente era a vermelha patamar 2, na qual o acréscimo é menor (de R$ 9,492 para os mesmos 100 kWh).
“Em setembro, foi acionada nova bandeira tarifária, a bandeira escassez hídrica, em que o acréscimo é maior. Além disso, teve reajuste tarifários em três áreas de incidência do índice”, explicou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.
Os reajustes tarifários foram realizados em Belém – de 8,92%, em vigor desde 7 de agosto, o que provocou alta de 9,43% da energia no local -, em Vitória – reajuste de 9,60%, a partir de desde 7 de agosto, com aumento de 7,35% da energia – e em São Luís, com reajuste de 2,20%, vigente desde 28 de agosto, que impulsionou aumento de 6,33% da energia na região.
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