A Abrapp reuniu na última sexta-feira (16/07) um grupo de grandes fundos de pensão para discutir a estratégia do setor para resistir ao projeto do governo de acabar com o diferimento tributário do setor, passando a taxar a rentabilidade das aplicações na fase de acumulação das reservas previdenciárias. Além da taxação dos dividendos das empresas na fonte, o que afetaria a rentabilidade de investimentos diretos e indiretos das fundações, a reforma também poderia gerar a obrigação de pagamento de Imposto de Renda sobre os ganhos de capital.Segundo cálculos preliminares da Abrapp, a entidade que reúne os fundos de pensão, a soma das duas medidas poderia resultar em uma queda média na rentabilidade dos investimentos da EFPCs da ordem de 1,18%, que representaria algo como R$ 11,2 bilhões sobre o atual patrimônio de R$ 1 trilhão. No ano passado, quando a rentabilidade média do setor atingiu 11,3%, esse percentual poderia ter sido de apenas 10,12% caso as medidas atualmente em discussão já estivessem vigorando.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Os números preliminares das perdas para as carteiras de investimentos dos fundos de pensão foram apresentados ao grupo de cerca de 70 pessoas que participou da reunião da sexta-feira, incluindo dirigentes dos fundos de pensão convidados ao encontro e membros das diretorias e conselhos deliberativos da Abrapp, ICSS e Sindapp.
Um email com esses mesmos números foi encaminhado à equipe do Ministério da Economia que está examinando a demanda dos fundos de pensão, que pedem a manutenção do atual status de diferimento tributário. Para isso, seria necessário que a reforma tributária reconhecesse explicitamente no seu texto a validade do artigo 5º da lei 11.053, que garante a isenção tributária das Entidades Fechadas de Previdência Fechada.
Segundo o presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins, as medidas tomadas pela equipe do Ministério da Economia e Receita Federal beiram a irresponsabilidade social, indo na contramão de medidas de fomento. “O papel da Abrapp é blindar o sistema”, afirmou o dirigente.
De acordo com o superintendente-geral da Abrapp, Devanir Silva, “em todos os países onde a previdência complementar é forte, isso é resultado de um regime que deduz contribuições, não tributa na acumulação e tributa no resgate de benefício”.
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