Petrolífera venderá cerca de R$ 11 bilhões em ações da rede de distribuição de combustíveis em uma oferta na Bolsa brasileira; Petrobrás já deixou o controle da empresa em 2019
A Petrobrásdará nesta quarta-feira, 30, o passo final para deixar o capital da rede de distribuição de combustíveis BR Distribuidora. Isso ocorrerá após a conclusão da oferta subsequente de ações (follow-on), que deverá girar aproximadamente R$ 11 bilhões. A BR foi privatizada há dois anos, quando a estatal deixou de deter o controle da empresa. Agora, a petroleira terminará de vender sua participação, hoje em 37,5%, concluindo o processo que teve início há um pouco mais de quatro anos.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A procura pelas ações da BR na oferta está aquecida, mas, dado o tamanho da oferta, a demanda deverá ficar bastante ajustada ao volume de ações que estão à mesa. Na transação, a BR não coloca recursos em caixa, visto que a oferta inclui apenas ações da estatal.
A ação da BR está sendo negociada em torno de R$ 26,50 na B3 e deverá sair na oferta, a ser precificada amanhã, com um pequeno desconto de cerca de 1% – ficando entre R$ 25 e R$ 25,50, apurou o Estadão. Nesse intervalo de preço, a Petrobrás pode colocar em seu caixa entre R$ 10,9 bilhões e R$ 11,1 bilhões. Após a atual oferta de ações, a petroleira embolsará, ao todo, cerca de R$ 24,5 bilhões com a venda integral da distribuidora de combustíveis.
Segundo gestores, um dos temas que está predominando as reuniões da empresa, no processo da oferta, tem sido possíveis ganhos futuros com a mudança recente de gestão da empresa, agora sob o comando de Wilson Ferreira, ex-Eletrobrás. Nesses encontros, o tema da transição energética, diante da necessidade crescente de buscar negócios voltados à economia de baixo carbono, também tem sido frequente.
Para Ilan Arbetman, analista de pesquisa da Ativa Investimentos, a saída total da Petrobrás do capital da BR “pode ser uma oportunidade para melhoria de sua governança”. “A saída da estatal desvincula, em parte, a BR dos riscos oriundos de seu atual acionista majoritário”, afirma.
Do lado financeiro, a desvinculação com a Petrobrás permite que a empresa tenha uma estrutura operacional mais eficiente. “Acreditamos que o processo, de fato seja ganha-ganha, uma vez que o desinvestimento em BR ajuda a tracionar importantes agendas para Petrobrás, como a redução de sua dívida e a consolidação de um maior foco no segmento de exploração e produção de petróleo”, comenta Arbetman.
Venda em partes
Até o fim de 2017, a Petrobrás era dona de 100% da distribuidora de combustíveis, mas vendeu no fim daquele ano cerca de 30% da companhia, por meio de uma oferta inicial de ações (IPO, pela sigla em inglês), colocando cerca de R$ 5 bilhões no caixa.
Dois anos depois, em uma nova oferta via Bolsa de Valores, a estatal vendeu mais uma fatia de 30%, que somou mais de R$ 8 bilhões. Nesse momento a Petrobrás se desfez do controle da BR, marcando a privatização da companhia.
A BR possui cerca de oito mil postos de serviços e 1,1 mil lojas de conveniência da marca BR Mania. No processo de transição energética, a expectativa é que a companhia passe a atuar em outros mercados, tal como a comercialização de energia elétrica, gás natural e etanol.
No mercado, a privatização da BR foi apontada como um modelo a ser seguido por outras estatais, incluindo a Eletrobrás. Em três vendas de ações na Bolsa foi realizada feita no mercado e pulverizou o capital. A oferta foi estruturada por Morgan Stanley, Itaú BBA, Citi e XP.
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