Presidente da Previ, Coelho renuncia ao cargo

Saída do executivo, que era esperada após a troca no comando do BB, foi antecipada

José Maurício Coelho passou por cinco presidentes do BB e vendeu R$ 35 bilhões em participações de renda variável

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O presidente do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), José Maurício Coelho, renunciou ontem, em um movimento que, já esperado desde a troca no comando do BB, mas foi antecipado. O banco é o patrocinador da Previ, maior fundo de pensão da América Latina, com patrimônio de R$ 252 bilhões.

O novo presidente do banco, Fausto Ribeiro, vem fazendo algumas substituições na diretoria da instituição financeira e de subsidiárias, e por isso uma mudança na Previ também já vinha sendo aventada no mercado.

Porém, a saída de Coelho, cujo mandato terminaria em maio de 2022, ocorre dias após a venda de uma fatia da participação da Previ na BRF. O fato teria contribuído para colocar mais pressão sobre a troca na fundação.

O movimento também se dá pouco depois da mudança no comando no fundo de pensão da Caixa, a Funcef. Embora as razões não tenham sido as mesmas e a situação de ambas seja diferente, a proximidade dos dois casos gerou inevitáveis especulações sobre uma possível interferência política nos fundos de pensão, que foram alvo de escândalos de corrupção alguns anos atrás.

Ainda não há informações oficiais sobre um possível substituto. Coelho ficará no cargo até 11 de junho e a expectativa é que até lá o banco indique um novo nome. Nos bastidores, o nome do diretor de participações, Denísio Liberato, é apontado como o escolhido, ainda sem confirmação. Liberato assumiu o cargo na fundação em meados de 2020.

Nos últimos dias, a Previ se desfez de cerca de 3% das ações da BRF e levantou cerca de R$ 650 milhões com a operação. Com a venda, teria acabado ajudando a Marfrig, ainda que indiretamente, na sua estratégia para adquirir participação na concorrente. O movimento se deu em meio a notícias de que a família Fontana, fundadora da Sadia, tentava retomar o controle da empresa, e inclusive teria acionado o senador Flávio Bolsonaro para ajudar a influenciar os fundos de pensão, conforme noticiou o colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, no início deste mês. Além da Previ, a Petros, dos funcionários da Petrobras, é acionista da empresa de proteínas, mas não vendeu ações da BRF.

Fontes próximas à Previ, no entanto, minimizam essa situação. De acordo com esses interlocutores, a saída de Coelho teria se dado de comum acordo, uma vez que Ribeiro está montando uma nova equipe em seu entorno no BB. Durante seu mandato, que começou em julho de 2018, o presidente da fundação passou por cinco diferentes presidentes do banco: Paulo Caffarelli, que o indicou, Marcelo Labuto, Rubem Novaes, André Brandão, e agora Ribeiro. A Previ sempre negou qualquer tipo de interferência, e alega ter independência para realizar sua gestão. Procurado pela reportagem, Coelho não comentou as razões de sua saída.

Alguns interlocutores também destacam o fato de que Coelho é próximo de Caffarelli, que renunciou à presidência da Cielo na semana passada. A principal razão para a saída do executivo teria sido a falta de entrosamento com o governo, exacerbada desde a chegada de Ribeiro.

No ano passado, durante participação na Live do Valor, Coelho reiterou a inexistência de qualquer tipo de ingerência política. “A Previ já passou por investigações pesadas na época da [operação] Greenfield [da Polícia Federal, que investigou desvios em fundos de pensão] e saímos elogiados”, afirmou. À época, também disse que a relação com o patrocinador era saudável.

“Uma saída, quando acontece nesse formato, sempre é ruim. Mas a Previ tem um modelo de governança que dá alguma garantia, uma vez que o patrocinador, não tem voto de minerva na diretoria, mas, mesmo assim, pode tentar se impor”, diz uma fonte próxima ao fundo de pensão.

Pelas regras da Previ, três dos seis componentes da diretoria-executiva são eleitos pelos participantes. É o caso dos diretores de planejamento, previdência e de administração. O presidente e os diretores de investimento e de participações são indicações do BB. Os últimos presidentes da Previ, Gueitiro Genso e Dan Conrado, ao lado de Coelho, são considerados quadros mais técnicos, sem vinculações políticas. Coincidentemente, os três renunciaram. Genso saiu da Previ para assumir uma vice-presidência no Banco do Brasil, enquanto Conrado alegou questões pessoais.

A saída do executivo ocorre dias depois de mudanças na direção da Funcef. O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, decidiu substituir os indicados do banco com o argumento de que era necessário adequar a política de investimentos da fundação aos novos tempos de juros baixos.

Na Petros, até o momento, não há sinais de que haverá mudanças, segundo uma fonte. A fundação hoje é liderada pelo advogado Bruno Dias, que tem passagens pelo BNDES e pela Fapes, fundação dos funcionários da instituição.

Aos 55 anos, Coelho começou a carreira no BB com 21. Na instituição, ajudou a estruturar a área de mercado de capitais no final dos anos 1990 e a criação da BB Seguridade, da qual foi presidente. Em nota, a Previ afirmou que o executivo conduziu a fundação com segurança e que os resultados durante sua gestão foram positivos. Na fase mais aguda do coronavírus, em março do ano passado, o déficit chegou a quase R$ 24 milhões, mas foi revertido ainda em 2020. Para aumentar a segurança do Plano 1, que concentra as maiores participações da Previ, a gestão de Coelho vendeu mais de R$ 35 bilhões em renda variável. Ao mesmo tempo, aumentou a participação em títulos públicos para assegurar liquidez. (Colaborou Talita Moreira, de São Paulo)

https://valor.globo.com/financas/noticia/2021/05/26/presidente-da-previ-coelho-renuncia-ao-cargo.ghtml

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