A gestão de Silva e Luna à frente da presidência da Petrobras deve ser marcada pela tentativa de distensionar conflitos internos entre governo e acionistas
A Ativa Investimentos avaliou que o primeiro discurso do general da reserva Joaquim Silva e Luna como novo presidente da Petrobras trouxe conforto ao mercado, mas demonstra a tentativa de conciliar objetivos antagônicos ao indicar que uma eventual mudança na política de preços da companhia ainda vai manter alguma consonância com a paridade de preços internacionais.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“Acreditamos que a aplicação de transformações no dinamismo de preços e a manutenção da paridade tendem a apresentar antagonismo e vão requerer do novo presidente decisões que, corretamente, serão tomadas após o mesmo se ambientar na presidência da companhia” afirma o analista da Ativa, Ilan Arbetman.
De acordo com Arbetman, ainda é cedo para apontar de que modo a companhia conseguiria amortecer os preços praticados no mercado interno, mas algumas das possibilidades em estudo podem envolver a criação de um fundo de amortecimento ou mudanças fiscais. “O sentimento é de que se houver uma ruptura, a princípio, não vai ser tão forte”, afirma Arbetman.
O analista também ressalta que o novo presidente se mostrou a favor da continuidade do programa de desinvestimentos da estatal, que deve continuar a focar em ativos de exploração e produção em águas profundas. Ele lembra, no entanto, que o prêmio cobrado pelos compradores dos ativos de refino da Petrobras tende a aumentar. “O prêmio cobrado pelos entrantes no setor de refino será maior com o retorno da companhia de economia mista não voltado apenas a seus acionistas”, afirma.
Silva e Luna tomou posse hoje, junto com a nova diretoria da Petrobras, aprovada em reunião do conselho de administração na semana passada. O novo presidente da estatal foi indicado em fevereiro pelo presidente Jair Bolsonaro após críticas à gestão de Roberto Castello Branco à frente da companhia, sobretudo no repasse dos preços internacionais de combustíveis no mercado interno.
A gestão de Silva e Luna à frente da presidência da Petrobras deve ser marcada pela tentativa de distensionar conflitos internos entre governo e acionistas, aponta o coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), William Nozaki.
Para Nozaki, o discurso de Silva e Luna durante a cerimônia de posse na manhã de hoje mostrou que a companhia deve trabalhar alinhada ao governo federal, mas que não há sinais de ruptura com os acionistas minoritários. “Acho que a companhia vai buscar maior previsibilidade junto aos consumidores e maior credibilidade junto aos acionistas”, diz.
Segundo o coordenador do Ineep, instituto ligado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), uma das maneiras de dar maior previsibilidade aos reajustes dos combustíveis pode inclui a adoção de uma frequência definida para as mudanças nos preços. “É possível amortecer e dar mais previsibilidade aos reajustes sem criar tantos sobressaltos quanto os que foram criados nos últimos meses”, afirma.
O novo presidente da estatal foi indicado em fevereiro pelo presidente Jair Bolsonaro após críticas à gestão de Roberto Castello Branco à frente da companhia, sobretudo no repasse dos preços internacionais de combustíveis no mercado interno.
Conteúdo publicado pelo Valor PRO, serviço de tempo real do Valor
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