Silva e Luna inicia trabalhos de transição na Petrobras

Posse ainda depende de trâmites; expectativa é que AGE no dia 12 eleja general como conselheiro da empresa, pré-requisito para que seja efetivado como presidente da estatal

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o comando da Petrobras, o general da reserva Joaquim Silva e Luna iniciou os trabalhos de transição junto à atual gestão da estatal e analisa nomes para compor o novo time de diretores da companhia. Os executivos de saída da empresa têm sugerido profissionais da casa como substitutos.

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A posse do atual diretor-geral de Itaipu Binacional como presidente da Petrobras ainda depende de alguns últimos trâmites. A expectativa é que, no dia 12, a assembleia extraordinária de acionistas da petroleira eleja Silva e Luna como conselheiro da empresa — pré-requisito para que ele seja efetivado como presidente da estatal.

Segundo duas fontes do alto escalão da Petrobras, Silva e Luna iniciou os trabalhos de transição há duas semanas, após seu nome ter sido aprovado, no dia 17 de março, pelo Comitê de Pessoas — órgão estatutário, vinculado ao conselho de administração (CA) e que checa a conformidade do processo de indicação de executivos da estatal. Desde então, o militar se reuniu pessoalmente com cada um dos diretores da empresa, para conhecer mais detalhes sobre as diferentes áreas de negócio da petroleira.

Os encontros têm ocorrido fora da Petrobras, no bairro da Urca, no Rio, na sede do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) — vinculado ao Ministério de Minas e Energia. A transição, de acordo com pessoas próximas ao processo, tem transcorrido de forma tranquila.

O Valor apurou que Silva e Luna convidou todos os oito diretores da Petrobras a permanecerem no cargo. Quatro deles, porém, já declinaram e, assim como o presidente Roberto Castello Branco, sairão quando a nova gestão assumir. São eles: André Chiarini (comercialização e logística); Andrea de Almeida (finanças); Carlos Alberto Pereira de Oliveira (exploração e produção); e Rudimar Lorenzatto(desenvolvimento da produção). Marcelo Zenkner (governança e conformidade) também sairá. Ele já havia manifestado a intenção de não renovar o mandato antes mesmo da indicação de Silva e Luna.

A lista de indicações para a nova diretoria foi um pedido do próprio militar, que tem se encontrado com os profissionais recomendados para conversar. Segundo as fontes, porém, Silva e Luna não deixou claro se acatará ou não as sugestões. O presidente do conselho da Petrobras, o almirante Eduardo Bacellar, tem sido atuante na avaliação dos candidatos. A lista é composta basicamente por nomes das gerências-executivas, cargos imediatamente abaixo das diretorias. “Ele [Silva e Luna] tem sido cauteloso, não tem se manifestado muito, mas ouvido bastante”, afirmou uma das fontes.

Investidores ainda consideram o perfil da nova gestão da Petrobras como uma incógnita, sobretudo em relação ao futuro da política de preços dos combustíveis — tema sensível ao presidente Jair Bolsonaro. “Nas conversas Silva e Luna não se comprometeu com nada, nem de mudar, nem em manter nada”, disse a outra fonte.

Os próximos passos para a efetivação do general da reserva como presidente da Petrobras passam pela assembleia de 12 de abril, que visa a destituir Castello Branco e eleger Silva e Luna como conselheiro. Como a União controla a estatal, a aprovação é dada como certa, mas a expectativa é que pelo menos parte dos minoritários votem contra o nome do militar, para manifestarem descontentamento com a interferência de Bolsonaro na troca. Obtido o aval dos acionistas, será a vez de o CA eleger o militar como presidente da empresa .

O conselho será renovado em pelo menos cinco assentos, o que representa 45% do atual quadro de conselheiros. Onze candidatos, entre os indicados pelo governo e pelos investidores privados, concorrerão às oito vagas em jogo. Como a União é a controladora, pelo menos seis das onze cadeiras do CA devem ser ocupadas por indicações do governo. Isso quer dizer que, das oito vagas em disputa, duas serão decididas entre candidatos da União e dos minoritários. Como os investidores apresentaram três nomes, haverá também competição entre os próprios minoritários pelas vagas.

Por meio do voto múltiplo, que permite a eleição de nomes alternativos à chapa da União, os candidatos dos minoritários (Leonardo Antonelli, Marcelo Gasparino e Pedro Medeiros) concorrerão com Ana Matte, Cynthia Silveira, Eduardo Bacellar, Joaquim Silva e Luna, Márcio Weber, Murilo Marroquim, Ruy Schneider e Sonia Villalobos.

Oito das onze cadeiras estão em jogo porque Castello Branco foi eleito em 2020 por meio do voto múltiplo. E, pelas regras, a saída de qualquer membro escolhido dessa forma implica a destituição dos demais conselheiros eleitos pelo mesmo processo — e a necessidade de um novo pleito. A renovação será grande porque João Cox Neto, Nivio Ziviani, Omar da Cunha Sobrinho e Paulo Cesar de Souza e Silva optaram pela não recondução.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/04/04/silva-e-luna-inicia-trabalhos-de-transio-na-petrobras.ghtml

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