Na quinta (30), BRF e Marfrig pegaram investidores de surpresa ao anunciar que estudam fusão. As duas empresas assinaram um acordo de exclusividade e vão negociar pelos próximos 90 dias, renováveis por mais 30.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Por causa da discrepância dos valores de mercado, os acionistas da BRF ficarão com 85% do capital da nova empresa, e os da Marfrig, com só 15%. Essas participações, no entanto, não contam toda a história.
Isso ocorre porque a BRF é uma “corporation” – uma empresa sem dono definido com participações bastante diluídas entre vários acionistas. Já o Marfrig sempre foi a chamada “empresa de dono”. Molina tem 37% do frigorífico e o controle do negócio.
Cálculos preliminares indicam que o empresário terá entre 5,5% e 6% de participação na nova empresa. Ele estará atrás apenas dos dois maiores acionistas da BRF, os fundos de pensão Petros (Petrobras), com 9,8%, e Previ (Banco do Brasil), com 9,1%.
Conforme apurou a reportagem, os representantes de Petros e Previ só souberam oficialmente da eventual fusão na reunião do conselho da BRF. As conversas vinham sendo conduzidas por Pedro Parente, presidente do conselho, e Lourival Luz, presidente-executivo.
A surpresa não agradou aos fundos. Sob anonimato, duas fontes disseram que a fusão entre Sadia e Perdigão ainda não está consolidada e que a atual diretoria vem sob pressão para mostrar resultados, o que até agora não aconteceu.
Previ e Petros têm interesse em sair do negócio, porque o investimento estaria maduro e próximo do prazo para pagar aos cotistas, mas até agora os preços não foram considerados satisfatórios. A BRF vem acumulando prejuízos, provocados pelos equívocos da gestão de Abilio Diniz e pelas investigações de fraude feitas pela Polícia Federal.
O BNDES, que hoje tem 33,7% da Marfrig, também será acionista relevante da nova gigante das carnes, com 5%. Todavia, o banco já anunciou publicamente que está desinvestindo em grandes empresas. Com a fusão, sua missão de sair da Marfrig se torna mais fácil se os preços forem razoáveis.
Não se sabe ainda o que essas novas participações dos acionistas podem representar em termos de assentos no conselho da futura gigante. O tema promete ser um dos mais complexos nas negociações.
Pessoas próximas a Molina são categóricas em dizer que ele se manterá envolvido no negócio. Conhecido como “self made man”, o empresário criou seu frigorífico a partir de um açougue, quase quebrou por causa do endividamento e é um empresário polêmico.
Em maio do ano passado, Molina fechou um acordo com os procuradores da Operação Greenfield e aceitou pagar uma multa de R$ 100 milhões para ter eventuais penas reduzidas se condenado pela acusação de ter pago propina para conseguir empréstimos na Caixa Econômica Federal.
O mercado financeiro viu com reticência a criação da nova gigante das carnes, principalmente para a BRF. A empresa, que vinha vendendo ativos para reduzir a dívida, se tornaria ainda mais complexa com a fusão, já que os negócios de carnes bovina, de frango e suína têm poucas sinergias.
As ações da BRF fecharam esta sexta (31) em queda de 4,5%. As da Marfrig subiram 0,7%.
beefpoint.com.br
Fonte: Valor Econômico.
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