A decisão pelo nome do executivo já tinha sido tomada pelo board da BR Distribuidora em dezembro, depois de quase 30 nomes de executivos analisados
O executivo Wilson Ferreira Júnior, que pediu demissão da Eletrobras, chega com carta branca para comandar a BR Distribuidora, maior rede de postos de combustíveis do país. Ele deve ficar na estatal até o dia 5 de março e aguarda ainda a decisão do Comissão de Ética Pública (CEP), da Presidência da República, para saber se deve cumprir um período de quarentena antes de assumir o posto que era ocupado por Rafael Grisolia.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!O nome de Ferreira Júnior reúne pelo menos três atributos que o conselho está buscando para a empresa, segundos pessoas próximas à distribuidora de combustíveis. “Ele teve sucesso na liderança de grandes grupos e capacidade de realizar a mudança de cultura de uma empresa estatal para uma companhia privada. E terá competência para enxergar na BR um leque mais amplo do que uma distribuidora de combustíveis”, disse uma fonte a par do assunto.
A decisão pelo nome do executivo já tinha sido tomada pelo board da BR Distribuidora em dezembro, depois de quase 30 nomes de executivos analisados desde julho do ano passado. A BR Distribuidora contratou a consultoria Egon Zehnder para assessorá-los no processo. Mas as conversas para que o presidente da Eletrobras aceitasse o cargo só avançaram mesmo nos últimos dias. O Valorapurou que nomes como Marcelo Castelli (da Votorantim Cimentos), Rodrigo Abreu, da Oi, Pablo Di Si, da Volkswagen, e Amos Genish, do BTG Pactual, foram cogitados para o cargo no início do processo.
Na sexta-feira, Ferreira Júnior comunicou a decisão para o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e ao conselho de administração da BR Distribuidora. Na quinta-feira, a comissão de ética deverá decidir se o executivo deverá cumprir ou não uma quarentena.
Enquanto não assume o comando da empresa, o executivo Marcelo Bragança, atual diretor de operações da BR, assumirá a presidência da companhia interinamente. Ele vai contar com o apoio de quatro conselheiros nesse processo: Alexandre Carneiro, Maria Carolina Lacerda, Mateus Bandeira e Ricardo Maia.
O conselho de administração da BR entende que Ferreira Junior é o executivo que poderá conduzir o processo de reestruturação da BR Distribuidora, que vinha perdendo terreno para as suas principais concorrentes.
Líder em distribuição de combustíveis, a BR Distribuidora, que era controlada pela Petrobras, estava vendo suas principais rivais de mercado – Raízen (joint venture de Shell e Cosan) e Ultrapar (dona dos postos Ipiranga) – adotando estratégias mais agressivas. A companhia, que chegou a ter 35% de participação de mercado, encerrou o terceiro trimestre de 2020 com 26,6% (período em que recuperou 0,6 ponto percentual de participação, em relação ao trimestre anterior).
O entendimento é que é preciso preparar a empresa para o futuro. “A companhia não será só mais uma empresa que é um local onde as pessoas param para abastecer seu automóvel. Temos de pensar numa distribuidora de combustíveis que também terá um papel maior em mobilidade e conveniência mais ampla”, disse uma pessoa próxima ao conselho.
Ao Valor, Wilson Ferreira Júnior, 61 anos, disse que sua larga experiência no setor de energia – ele também foi presidente da CPFL por 17 anos – deverá ajudar no processo de reestruturação que a BR Distribuidora está passando nos últimos anos.
As mudanças na condução da gestão da BR ganharam força com a oferta inicial de ações (IPO) em dezembro de 2017. A privatização em 2019, quando a Petrobrás reduziu sua participação para 37%, foi importante para que a companhia pudesse acelerar o processo de reestruturação do negócio, buscando uma gestão que pudesse aliar disciplina financeira com uma nova visão de estratégia. A estatal deverá reduzir sua fatia na BR em leilões nos próximos meses.
Com a redução do consumo de combustíveis fósseis e a mudança do mercado de refinarias, o board da BR Distribuidora entende que a empresa também tem de rever seus planos. “Os nossos principais competidores estão avaliando verticalizar a produção com a entrada em refino. Não vemos nossa estratégia necessariamente por aí. Não precisamos comprar matéria-prima necessariamente da Petrobras”, afirmou uma pessoa a par do assunto.
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