BC espera inflação de 4,3% em 2020 e 3,4% em 2021

Projeção leva em conta juros com trajetória projetada na pesquisa Focus e taxa de câmbio evoluindo segundo a Paridade do Poder de Compra (PPC) ao longo do tempo

O Relatório Trimestral de Inflação de dezembro, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira, projeta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,3% neste ano, 3,4% em 2021, 3,4% em 2022 e 3,3% em 2023. Essa é a projeção central do BC, que considera juros com trajetória projetada na pesquisa Focus (junto a analistas econômicos principalmente do mercado) e taxa de câmbio evoluindo segundo a Paridade do Poder de Compra (PPC) ao longo do tempo.

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O BC não divulgou os outros cenários que costumava apresentar em seu relatório, com juros e câmbio constantes e com combinações híbridas entre juro e câmbio da pesquisa Focus.

No documento de setembro, as estimativas do cenário central, à época com juros e câmbio constantes, eram de 2,1% para 2020, 3% para 2021, 3,8% para 2022 e 4,6% para 2023. Naquela projeção, utilizou-se taxa de juros em 2% ao ano e taxa de câmbio de R$ 5,30, vigente nos cinco dias anteriores à reunião de setembro do Copom.

A meta de inflação é de 4% para 2020, 3,75% para 2021, 3,5% para 2022 e 3,25% para 2023. O intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos. Quando a inflação anual fica fora do intervalo de tolerância, o presidente do BC precisa escrever uma carta aberta ao ministro da Economia explicando os motivos que levaram ao não-cumprimento da meta e detalhando ações que serão tomadas para corrigir o problema.

Piso e teto da meta de inflação

A probabilidade de o IPCA fechar abaixo do piso da meta ou acima do teto em 2020 é de 0%, de acordo com as estimativas do BC, considerando o cenário com taxas de juros coletadas na pesquisa Focus e câmbio evoluindo pela paridade do poder de compra.

Para 2021, as chances de ficar abaixo do piso são de 19% e de ficar acima do teto, de 8%. Para 2022, as chances de ficar abaixo do piso são de 16% e de ficar acima do teto são de 12%. No caso de 2023, as chances de ficar abaixo do piso são de 13% e de ficar acima do teto, de 15%.

As projeções apresentadas acima utilizam o conjunto e informações disponíveis até a última reunião do Copom, em 8 e 9 de dezembro.

O BC apresentou um cenário de inflação alternativo no qual projeta o cenário para o IPCA em caso de materialização de uma piora na percepção de risco fiscal e também de um eventual prolongamento dos efeitos da pandemia. No cenário de piora na percepção de risco fiscal, as pressões foram no sentido de elevação do IPCA. Para 2021, a inflação fecharia o ano em 6,4% (frente a um cenário-base de 3,4%), chegando a atingir 7,2% no meio do ano, estourando portanto, o limite superior. Em 2022, fecharia o ano em 4,2% (ante um cenário-base de 3,4%), com pico em 6,1% no acumulado em 12 meses até o primeiro trimestre. Apesar do recuo, o nível estaria acima do centro da meta, de 3,25%.

No caso de prolongamento dos efeitos da pandemia, o impacto estimado pelo BC é de baixa. O IPCA ficaria em 2,4% no fim de 2021 e em 2,5% no fim de 2022. Em ambos os casos, abaixo do centro da meta, inclusive se aproximando do piso. Para calcular os impactos de uma piora na percepção de risco fiscal, o BC usou como referência o que aconteceu no mercado a partir da piora no indicador de dívida em 2014.

“Seguindo o processo de deterioração fiscal e inflexão da trajetória da dívida pública em 2014, o Brasil perdeu o grau de investimento das três principais agências de risco: S&P em 9.9.2015, Fitch em 16.12.2015, e Moody’s em 24.2.2016. Esses desenvolvimentos, associados a uma revisão das expectativas de crescimento para os anos seguintes, levaram a uma elevação da incerteza, do câmbio e dos prêmios de risco”, explica o BC, informando que para construção do cenário de risco fiscal, foram utilizadas como referência as variações da taxa de câmbio (R$/US$), já descontando impacto de commodities, da incerteza econômica (medida pelo Indicador de Incerteza da Economia Brasil – IIE-Br da Fundação Getulio Vargas – FGV) e do prêmio de risco (medido pelo Credit Default Swap – CDS Brasil de cinco anos), ocorridas no período de julho de 2014 a janeiro de 2016.”

No caso do prolongamento da pandemia, a explicação está nos efeitos negativos no setor de serviços e no hiato do produto. “O balanço de riscos do Copom reconhece que o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado, notadamente quando essa ociosidade está concentrada no setor de serviços. Esse risco se intensifica caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional”, diz o BC. “Para construir esse cenário, faz-se uso de choque direto no hiato do produto na curva IS, calibrado de forma a manter o nível do hiato estável nos dois primeiros trimestres de 2021, com valor igual ao do quarto trimestre de 2020, antes de prosseguir na sua trajetória de fechamento”, acrescenta.

“Surpresa inflacionária”

O BC informou no relatório que a “surpresa inflacionária” no trimestre entre setembro e novembro foi de 1,44 ponto porcentual e de 1,46 ponto porcentual em 12 meses. A autoridade monetária projeta inflação de 1,09% em dezembro, 0,27% em janeiro e 0,36% em fevereiro, com o IPCA chegando em fevereiro com uma taxa acumulada em 12 meses de 4,43%, acima portanto da meta de 3,5% para 2021.

“A surpresa inflacionária no período foi concentrada, principalmente, em alimentação no domicílio, refletindo choque que se mostrou mais forte, persistente e abrangente do que se antevia em setembro. Houve também altas mais fortes que as antecipadas para bens industriais, em particular artigos de residência e de vestuário, e para preços administrados, com destaque para gasolina. Destaque-se que, ao longo do período, preços internacionais de commodities foram maiores que os considerados no cenário e o real, em média, se mostrou mais depreciado”, explica o relatório do BC.

Para a revisão nas projeções para este e os próximos anos, o BC listou uma série de fatores. Entre os elementos que pesaram para cima estão: inflação observada recentemente maior do que a esperada; revisão das projeções de curto prazo, refletindo as pressões correntes; utilização de trajetória de taxa de câmbio seguindo a PPC em vez de trajetória com câmbio constante, afetando a projeção tanto de preços livres como de administrados; elevação dos preços de commodities, incluindo o preço do petróleo; crescimento das expectativas de inflação da pesquisa Focus; revisão para cima da projeção de itens de preços administrados.

Entre os fatores que pesaram para baixo estão: trajetória mais elevada da taxa Selic da pesquisa Focus e, em termos de projeções para os anos-calendário de 2021 e 2022, a hipótese sobre a bandeira tarifária da energia elétrica para os finais desses anos.

https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/12/17/bc-espera-inflacao-de-43percent-em-2020-e-34percent-em-2021.ghtml

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