Integrantes do Conselho Superior do Ministério Público defenderam que o procurador-geral da República, Augusto Aras, reveja a nomeação de Celso Três como coordenador da força-tarefa da Greenfield, que apura desvios em fundos de pensão.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Em ofício enviado a Aras, o grupo questiona a maneira como o procurador foi escolhido e critica o fato de o PGR decidir desmembrar as investigações.
Celso Três é conhecido pela sua atuação no caso do Banestado e, nos últimos anos, tem feito duras críticas à Operação Lava-Jato. Em agosto, em entrevista ao site Conjur, afirmou que a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro era “escandalosa”.
Ele foi o único a se candidatar em um edital lançado pela PGR e, na quarta-feira, foi nomeado como novo procurador natural da operação.
O procurador, no entanto, vai cuidar apenas dos casos em investigação da Greenfield. Todos os inquéritos em que já houve denúncia ou abertura de ação improbidade serão redistribuídos entre integrantes da Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF).
Para os integrantes do Conselho Superior, esse novo formato “desconsidera a concepção original de uma força-tarefa focada em seu objeto de atuação, ao abrir ensejo à redistribuição de inúmeros procedimentos, com evidentes riscos de fragmentação de atividades e prejuízos à visão sistêmica, de conjunto, essencial em toda e qualquer atividade de investigação de redes de macrocriminalidade organizada”.
No ofício, o grupo afirma ainda que “por maior que seja a experiência e a qualificação” de Celso Três, a maneira como ele foi escolhido para o cargo “não se coaduna com o princípio do procurador/promotor natural (CF, art. 5º, LIII), adotado na ordem constitucional atual como ferramenta destinada a prevenir e impedir casuísticas designações/destituições/substituições de membros do Ministério Público, tão frequentes quanto impróprias em momentos anteriores à Carta de 1988”.
O documento enviado a Aras é assinado por sete dos dez integrantes do Conselho Superior. No ofício, os subprocuradores-gerais da República pedem ainda que o PGR retome a discussão sobre um novo modelo de atuação das forças-tarefas em todo o país.
No ofício, eles manifestam “preocupação” com os rumos da força-tarefa e criticam o esvaziamento do grupo, “em contraste com a magnitude e a complexidade dos casos investigados, bem como à revelia das inúmeras manifestações de seus membros acerca da necessidade de prorrogação, ampliação e estrutura de apoio compatíveis com os planos de trabalho em execução”.
A força-tarefa da Greenfield estava desfalcada desde setembro, quando o criador do grupo, procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, apontou falta de apoio da cúpula da PGR e pediu para deixar o grupo.
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