Com uma carteira de participações de R$ 84,5 bilhões, fundo tem estimulado a adoção de melhores práticas no lugar de simplesmente excluir setores ou empresas do portfólio
Mariana Durão
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!RIO – A pandemia da covid-19 atuou como um acelerador de tendências, o que no mundo de negócios se refletiu no boom do investimento responsável, diz o diretor de participações da Previ, Denísio Liberato. Signatário fundador do programa global Princípios para o Investimento Responsável (PRI), em 2006, o fundo de pensão discute agora como avançar em métricas que ajudem as companhias a identificar o valor financeiro de adotar as melhores práticas ASGI (ambientais, sociais, de governança e integridade).
“A Previ quer criar valor para as companhias, gerar fluxo de caixa, dividendo, tudo para ajudar no pagamento das pensões e aposentadorias (dos associados). É preciso mostrar que não é uma coisa etérea (o investimento responsável), tem uma razão de ser”, disse Liberato ao Estadão/Broadcast. O tema será debatido no próximo encontro de governança do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, na semana que vem.
Com uma carteira de participações societárias de R$ 84,5 bilhões, a Previ tem adotado a estratégia do engajamento nas empresas participadas. O racional é estimular a adoção de melhores práticas em lugar de simplesmente excluir setores ou empresas do portfólio. O único filtro aplicado é o que veta investimentos em fabricantes de armas e tabaco. A fundação permaneceu na Vale e na Petrobrás, mesmo após as recentes tragédias ambientais, no caso da mineradora, e dos episódios de corrupção na petroleira.
“Essas empresas estão sendo elogiadas pela melhora na governança. Nosso compromisso é, como acionista de referência, dar apoio institucional para que (as companhias investidas) possam evoluir ao longo do tempo”, diz Liberato.
O diretor de participações da Previ vê como boa estratégia de investimento apostar em uma empresa avaliada com desconto em relação a seus pares, mas onde haja potencial de recuperação por meio da melhora das práticas ASGI. “Na falta de transparência o investidor vai exigir um prêmio pela incerteza. À medida em que isso melhora, o prêmio vai diminuindo e o valor presente do fluxo de caixa tende a aumentar”, explica.
Mais diversidade
A Previ vê com bons olhos a hipótese, defendida por parte do mercado, de a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) incluir no formulário de referência – documento anual obrigatório com informações das companhias abertas – dados sobre diversidade, como contratações por gênero ou raça. O entendimento é de que quanto mais informação útil o investidor tiver para tomar suas decisões, melhor.
Acionista do Magazine Luiza, o fundo de pensão publicou uma nota de apoio à decisão da varejista de criar um programa de trainee exclusivo para pessoas negras e pardas. “Apoiando a diversidade e contribuindo para o combate à desigualdade de oportunidades e renda no País, o Magazine Luiza reforça sua posição de liderança, além de colher os benefícios que essa decisão traz para seu crescimento em um mercado cada vez mais plural”, dizia o texto.
Liberato diz que “a literatura acadêmica” mostra que a diversidade traz ganhos, em especial em um País continental e socialmente desigual como o Brasil. O executivo acredita que mais diversidade pode ajudar as empresas a inovarem e ampliarem seu leque de produtos e serviços, o que tende a se refletir em indicadores como receita e geração de caixa.
“Levar para os altos escalões das companhias a diferença de opinião e visões conflitantes é ótimo do ponto de vista da geração de valor”, afirma, destacando que no exterior é comum que empresas que compõem os índices de mais alto padrão de governança corporativa repliquem em seus diferentes níveis hierárquicos a divisão plural da sociedade.
Em 2018, a Previ aderiu à Iniciativa Empresarial por Igualdade Racial. O fundo também mantém um Comitê Pró-Equidade de Gênero, Raça e Diversidade, formado por funcionários para debater essas questões e traçar ações que promovam a igualdade. Uma delas foi uma alteração no seu Programa Jovem Aprendiz: no último ciclo da seleção, 75% dos jovens escolhidos foram negros. De maneira geral, porém, é um degrau acima, nos programas de trainee, que são formadas as futuras lideranças das empresas.
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