A volatilidade dos mercados em 2020 abriu uma oportunidade de compra de R$ 12,5 bilhões em títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B) pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A estratégia, segundo o presidente da fundação, José Maurício Coelho, contribui para a gestão de liquidez dos planos — que pagam R$ 13 bilhões em benefícios ao ano —, por garantir em muitos casos retorno superior à meta, além de proteção contra inflação. A Previ tem uma carteira de investimentos de mais de R$ 180 bilhões.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“Este ano nos deu uma oportunidade interessante nas NTN-Bs longas. Com as incertezas, as taxas subiram de forma relevante e estamos priorizando o nosso caixa para isso”, disse Coelho ao Valor.
No início do ano, antes da crise do coronavírus, a baixa atratividade dos títulos públicos era dada como certa por causa da redução dos juros. Mas, as incertezas sobre os impactos da pandemia ofereceram até mesmo taxas acima da meta atuarial da fundação, que é de 4,7% ao ano.
“Imaginávamos que a atratividade dos títulos públicos poderia acabar no curto prazo. Estamos num patamar que ainda sinaliza oportunidades. Nossa prioridade é atuar no mercado secundário”, afirmou.
Para essa estratégia, a Previ montou uma carteira que foi batizada de ‘liability hedge’, uma espécie de proteção para o pagamento dos passivos. Mesmo que em alguns casos as taxas fiquem abaixo da meta atuarial da Previ, ainda há oportunidades por causa da gestão de liquidez, disse o executivo, sem revelar até que ponto as taxas ainda podem ser atrativas.
Em abril, quando as taxas apresentaram maior volatilidade, a Previ chegou a comprar títulos que pagavam juros acima de 5%. Quando o cenário tiver mais próximo da normalidade, as taxas tendem a voltar para patamares mais baixos. “Pode ser que não tenhamos mais oportunidades como essa”, disse Coelho.
Segundo o presidente da fundação, a estratégia reduz a diferença entre os ativos e passivos da fundação, que necessita de liquidez para pagar os benefícios. E também traz o benefício da proteção contra a inflação.
O comportamento dos mercados levou a Previ a uma mudança de rota. No fim do ano passado, o fundo havia reservado quase R$ 5 bilhões para um projeto de diversificação de investimentos, com foco em fundos multimercados e ativos imobiliários e no exterior. “Hoje temos dado prioridade a aplicar nossa liquidez nas NTN-Bs longas, por isso esse projeto continua suspenso. A nossa estratégia de diversificação não mudou”, afirmou Coelho. Em 2021, haverá espaço para que esse programa retorne à agenda da fundação, acrescentou.
“O programa de diversificação é um passo inicial. Faremos isso para começar a atividade em si”, afirmou o presidente da Previ. A entidade ainda é pouco exposta aos investimentos no exterior, um segmento que vem ganhando relevância entre as fundações. Atualmente, a regra define que os fundos de pensão podem aplicar até 10% de suas alocações fora e na Previ esse percentual ainda está abaixo de 1%. “Essas aplicações precisam casar com a nossa estratégia como um todo, passa pelo momento do dólar. Precisamos olhar outras variáveis”, disse. Ao olhar para o exterior, a fundação vai buscar setores que não tenham tanto peso na bolsa brasileira.
Até setembro, o Plano 1, que concentra os principais investimentos da Previ, tinha déficit de R$ 8 bilhões, reduzindo as perdas do auge da crise, em março, quando chegaram a R$ 23,6 bilhões.
“Ainda é um pouco cedo para falar [do desempenho do ano] porque a volatilidade ainda está muito grande. Acredito que teremos um último trimestre bom num ano de incertezas”, disse. A Previ tem uma grande exposição em renda variável. Somente no Plano 1 são R$ 78 bilhões. Há participações relevantes nos setores bancários e de energia que ainda não se recuperaram totalmente e ainda há espaço, completou.
Os ativos em bolsa têm perdas de 5,29% no ano, o único segmento da carteira com perdas. Na renda fixa, os ganhos são de 4,65% e nos investimentos imobiliários, 11% Os estruturados subiram 4,43%, enquanto os investimentos no exterior têm ganhos de mais de 35%. “Vamos sair de 2020 com uma carteira de renda variável saudável, com os ativos mais alongados e com um hedge de inflação melhorado. Digo que vamos sair mais saudáveis”, afirmou Coelho.
https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/11/23/previ-compra-r-125-bi-em-ntn-bs-na-crise.ghtml
Você precisa fazer login para comentar.