Fundações têm espaço para alocar R$ 50 bi fora

O aumento da exposição internacional dos fundos de pensão brasileiros pode representar aportes de dezenas de bilhões de reais no segmento nos próximos anos. Algumas entidades como a Fapes (BNDES) já atingiram o teto permitido pela regulação para investimentos no exterior, mas entre as maiores, como Previ (Banco do Brasil) e Petros (Petrobras), as alocações ainda são muito pouco exploradas. O movimento está na mira de gestoras de recursos nacionais e internacionais e consultorias de investimentos.

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O potencial para novas alocações internacionais é de pelo menos R$ 50 bilhões em cinco anos, prevê a consultoria Aditus. Hoje, esse segmento não chega a 1% dos R$ 900 bilhões da indústria. Apesar de muitas fundações já estarem preparadas para iniciar os processos, algumas ainda são impedidas pelas políticas de investimentos e, mesmo que invistam no setor, nem todas chegarão ao limite de 10% permitido.

Para a BlackRock, uma das maiores gestoras do mundo, com US$ 7 trilhões, a autorização concedida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para negociação na bolsa de BDRs de fundos de índices (ETFs) do exterior pode representar para as fundações uma porta de entrada para o setor internacional de forma mais simples. Hoje, o acesso a ativos fora só pode ser feito por meio de um fundo registrado na CVM.

“Temos observado avanços [na regulação] e o mais recente é a possibilidade de acessar o exterior por meio de BDRs. Com certeza isso vai abrir uma avenida muito interessante”, disse o presidente da BlackRock no Brasil, Carlos Takahashi. A gestora pretende lançar no primeiro trimestre do próximo ano mais de cem BDRs de fundos de índice para negociação na B3.

Para 2021, as políticas dos fundos de pensão já preveem limites bem mais amplos para diversas alocações, segundo o sócio da Aditus, Guilherme Benites. “Em geral, todas as fundações estão vendo a necessidade de assumir mais risco local porque as taxas de juros estão negativas. Mas elas estão montando algum tipo de estrutura para proteção. O mais simples é investir no exterior, uma vez que já traz uma diversificação de moedas, geografia e setores”, disse Benites.

Para um fundo de pensão que tem uma perspectiva de investimento de 20 a 25 anos, há uma redução considerável do risco do portfólio quando o investimento no exterior é integrado à estratégia, disse a vice-presidente da BlackRock no Brasil, Dyana Gomes de Oliveira. “Mesmo em cenários extremos de estresse local ou internacional há uma redução do risco pela agregação do dólar no portfólio. A melhora ainda tende a ser tímida por causa da limitação de investir 10% no exterior”, afirmou.

Os argumentos a favor dos investimentos internacionais são muito fortes e já há exemplos de fundações que estão tirando vantagem disso, disse Charles Prideaux, diretor global de investimentos da Schroders, que administra mais de US$ 600 bilhões. “O Brasil ainda é dominado por setores de recursos naturais, o setor de tecnologia ainda é pequeno. Trata-se de uma oportunidade de os fundos de pensão aumentarem o seu potencial”, afirmou o executivo ao Valor, depois de participar do congresso da Abrapp, associação que representa os fundos de pensão.

As alocações no exterior também representam uma porta de entrada para os investimentos com base nos critérios de sustentabilidade, meio ambiente e governança (ESG, na sigla em inglês). “O mundo como um todo vive uma transição e varia de país para país. Mas há uma pressão do consumidor final e também dos participantes dos fundos de pensão”, disse.

Daniel Celano, responsável pelas operações da gestora britânica no Brasil, lembra que os investimentos em ESG são graduais, mas o interesse das fundações locais também tem aumentado. “O ESG levado a sério é uma realidade.”

Fundações têm espaço para alocar R$ 50 bi fora | Finanças | Valor Econômico

https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/11/18/fundacoes-tem-espaco-para-alocar-r-50-bi-fora.ghtml

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