Lucro líquido da BRF caiu 26,3% no 3º tri, para R$ 216,8 milhões

Receita líquida da companhia aumentou 17,5% e atingiu R$ 9,9 bilhões no período

A piora dos resultados da BRF no exterior, reflexo do aumento dos custos de produção e de embargos sauditas que insistem em atrapalhar os negócios, nublou o sólido desempenho da operação no Brasil, reduzindo o lucro da dona das marcas Sadia e Perdigão no terceiro trimestre.

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No período, a BRF teve um lucro líquido de R$ 216,8 milhões, diminuição de 26,3% na comparação com o resultado positivo de R$ 293,9 milhões reportado pela companhia de alimentos no mesmo intervalo do ano passado.

Excluindo ganhos tributários não recorrentes, a BRF obteve um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado de R$ 1,3 bilhão no terceiro trimestre, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2019. A margem Ebitda ajustada, porém, caiu 0,3 ponto, passando de 13,5% para 13,2%.

Com um todo, a BRF ampliou a receita com vendas graças ao mercado aquecido no Brasil e à valorização do dólar, que se reflete positivamente na receita em reais. No terceiro trimestre, a receita líquida aumentou 17,5%, totalizando R$ 9,9 bilhões.

No Brasil, principal mercado de atuação, a companhia obteve um resultado melhor, com aumento do volume vendido. Entre julho e setembro, a BRF comercializou 578 mil toneladas de produtos no Brasil, incremento de 3,3% na comparação anual. Essas vendas renderam R$ 5,3 bilhões, o que representa um crescimento expressivo de 21% na mesma comparação.

Desconsiderando os ganhos tributários não recorrentes, o Ebitda ajustado da BRF aumentou 53,3%, alcançando R$ 829 milhões. Com isso, a margem Ebitda ajustada cresceu 3,3 pontos percentuais, passando de 12,3% no terceiro trimestre de 2019 para 15,7%.

No comunicado que acompanha o balanço, a BRF destacou a melhora do mix de vendas no Brasil, bem como os reajustes de preços feitos para compensar a forte alta dos grãos — insumos da ração animal. No terceiro trimestre, o preço médio dos produtos vendidos pela BRF no Brasil aumentou 16,8% na comparação anual e 8,9% ante o segundo trimestre.

A despeito do maior volume comercializado, a BRF voltou a perder participação de mercado do Brasil. De acordo com a leitura feita pela Nielsen, o market share da empresa atingiu 42,7% no quarto bimestre deste ano, ante 43,2% no bimestre anterior.

No exterior, a rentabilidade da BRF ficou mais apertada, apesar do desempenho ainda positivo nas vendas para a China, país que sofre os efeitos negativos da peste suína.

No terceiro trimestre, a receita líquida da BRF na área internacional aumentou 13,5% ante igual período de 2019, somando R$ 4,3 bilhões. Em contrapartida, o Ebitda ajustado caiu 29,8%, para R$ 476 milhões. Com isso, a margem Ebitda ajustada da empresa de alimentos sofreu uma contração expressiva de 6,8 pontos, de 17,9% para 11%.

Na Ásia, onde a BRF gera o maior Ebitda ajustado da área internacional — R$ 335 milhões no terceiro trimestre, incremento de 1,6% —, a margem caiu 3,1 pontos, para 23,8%. “A piora na rentabilidade se deu principalmente em função dos maiores custos de produção e gastos decorrentes do covid-19, além do efeito do hedge”, afirmou a companhia, em comunicado.

No Oriente Médio, a BRF segue com problemas decorrentes do embargo da Arábia Saudita ao abatedouro de frango de Dois Vizinhos, no Paraná, e à fábrica de processados de Abu Dhabi. Segundo a companhia, esses embargos afetam negativamente a rentabilidade por obrigarem a venda dos produtos em mercados menos interessantes que a Arábia Saudita.

Além disso, a operação de carne de frango da BRF na Turquia segue com restrições para exportar para o Iraque, mercado responsável por 30% das exportações de frango do país. Nesse cenário, o Ebitda ajustado da área de “distribuição halal” caiu 15,5%, para R$ 155 milhões. A margem Ebitda ajustada dessa subdivisão recuou 5,1%, para 8,4%.

Na área financeira, a BRF manteve o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) estável. Em setembro, esse indicador estava em 2,9 vezes, ante 2,89 vezes. O índice ficou estável mesmo com a valorização do dólar no período graças à geração de caixa da companhia. No terceiro trimestre, a BRF teve um fluxo de caixa livre de R$ 987 milhões.

Lucro líquido da BRF caiu 26,3% no 3º tri, para R$ 216,8 milhões | Agronegócios | Valor Econômico

https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2020/11/09/lucro-liquido-da-brf-caiu-263percent-no-3o-tri-para-r-2168-milhoes.ghtml

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