Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Fabricante de alimentos enfrentou disputas entre grupos societários pela condução dos rumos da companhia
Uma das mais conhecidas experiências de grandes companhias de capital pulverizado no país, a BRF ainda sofre com as agruras da divisão entre os sócios sobre o futuro dos negócios. As desavenças dentro do conselho de administração, escancaradas entre 2017 e 2018, perderam força, mas o grupo não voltou aos áureos tempos.
Criada em 2009 a partir da união entre as arquirrivais Perdigão e Sadia, a BRF foi a alternativa para salvar a companhia da família Fontana das pesadas perdas com derivativos cambiais. A dispersão acionária já existia na Perdigão, mas os fundos de pensão Petros e Previ eram sócios de referência e a liderança de Nildemar Secches, grande responsável por tirar o grupo da bancarrota na década de 1990, era um importante polo aglutinador dos interesses.
Por causa da Sadia, a pulverização acionária aumentou – a BRF levantou mais de R$ 5 bilhões no mercado para absorver as perdas com derivativos -, mas Nildemar manteve o prestígio e a hegemonia nos primeiros anos da companhia.
A situação começou a se alterar em 2012, quando a gestora Tarpon deflagrou uma articulação para retirar Nildemar do comando. A avaliação era que a companhia de alimentos, líder absoluta no mercado de alimentos processados à base de carnes, poderia ter mais ambição. Um agressivo corte de custos também era vislumbrado. Nos planos, transformar a BRF em um negócio mais rentável – a Ambev era uma inspiração declarada.
Nas articulações para mudar o comando da BRF, a Tarpon atraiu importantes membros da família fundadora da Sadia e conseguiu o apoio da Previ. A bala de prata para a mudança foi Abilio Diniz, nome de peso para substituir Nildemar da presidência do conselho.
Nos primeiros anos da era Abilio, a estratégia pareceu bem sucedida, com lucro recorde e dividendos crescentes no bolso dos acionistas. Mas a situação começou a mostrar fragilidades a partir de 2015, com a quebra da safra brasileira de milho. Ali, o modelo voltado para o consumidor – e não para a agroindústria -, provocou uma descoordenação na produção de carne de frango. A perda de talentos, por cortes de custos voluntários ou para a nova rival JBS, minou o conhecimento e a memória corporativa em uma atividade repleta de nuances como é a agropecuária.
Em meio à derrocada, acionistas que tiveram protagonismo na articulação para a saída de Nildemar se voltaram contra Abilio, e dispararam, no início de 2018, uma barulhenta ofensiva pedindo a destituição do empresário. Sob a liderança de Petros e Previ e após um intrincado acordo com Abilio, a BRF trouxe Pedro Parente para o comando do conselho de administração em abril de 2018.
Desde então, os resultados da BRF melhoraram, mas a companhia ainda não se refez de todas as perdas do passado e não há dividendos há quase cinco anos, o que angustia acionistas saudosos de um passado glorioso. O valor da mercado também é acanhado. Eram quase R$ 63 bilhões em meados de 2015 e, hoje, a capitalização não passa de R$ 15 bilhões.
A composição acionária segue pulverizada, e a mixórdia de interesses entre os sócios ajuda a afastar eventuais interessados no negócio. A empresa também incluiu no estatuto social cláusula segundo a qual se algum acionista comprar mais do que 33,33% do capital fica obrigado a fazer uma oferta pública a todos os investidores da companhia. O maior acionista da BRF é a Petros, com 11,4% dos papéis. Previ e Kapitalo vêm em seguida, com 9,4% e 5%, respectivamente. Detentores de recibos de ações nos Estados Unidos (ADRs) possuem cerca de 14% dos papéis da empresa.
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