Segundo força-tarefa, ministro participou de esquema que gerou prejuízo a fundos de pensão
A força-tarefa da Operação Greenfield em Brasília afirmou nesta segunda-feira que o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer "colocar para ‘debaixo do tapete’ um dano – possivelmente criminal – multimilionário" ao tentar arquivar a investigação da qual é alvo por fraudes em fundos de pensão.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Em ofício enviado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), os procuradores negam a alegação de Guedes segundo a qual o Ministério Público Federal (MPF) tem ocultado provas que lhe seriam favoráveis no processo.
Na sexta-feira, o desembargador Ney Bello atendeu a um pedido da defesa do ministro e suspendeu as apurações por 40 dias. Para o órgão acusador, os advogados tentaram "induzi-lo em erro".

Paulo Guedes — Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Acolhido pelo TRF-1, um dos principais argumentos de Guedes é o arquivamento, pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM), de dois procedimentos de investigação contra ele, por falta de indícios de ilícitos na gestão de fundos de investimento. Ele reclama do fato de esse engavetamento não ter sido juntado aos autos.
A Greenfield, no ofício, afirma que o órgão "não realizou qualquer exame sobre o mérito, mas, simplesmente, negou-se a abrir procedimento para apurar o caso, realizando juízo meramente preliminar e superficial". Segundo o MPF, não é possível dizer que a CVM "absolveu" Guedes dos supostos crimes financeiros.
Para que esses procedimentos fossem anexados ao processo, diz o documento enviado ao TRF-1, bastaria a defesa ter formalizado o pedido – o que, segundo os procuradores, não foi feito.
Segundo as investigações, Guedes teve participação em um esquema que gerou prejuízo de mais de R$ 72 milhões em perdas para fundos de pensão e de cerca de R$ 700 milhões para os investidores. O rombo "hoje contribui para a situação delicada por que passam os maiores fundos de pensão do país", diz o texto.
A defesa do ministro divulgou nota em que afirma a investigação da qual é alvo no âmbito da Operação Greenfield é "ilegal" pois não há provas de seu envolvimento em fraudes junto ao mercado financeiro.
"É descabido e persecutório falar em fraude, e a maior prova disso é que os fundos da gestora de Paulo Guedes deram lucro aos fundos de pensão, conforme expressamente dito pela Comissão de Valores Monetários (CVM)", dizem os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso.
Na nova nota, a defesa de Guedes reclama mais uma vez do fato desses arquivamentos terem sido "omitidos" pela força-tarefa, que teria a "obrigação processual" de juntá-los aos autos.
Greenfield: Guedes quer pôr dano multimilionário ‘debaixo do tapete’ | Brasil | Valor Econômico
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