Pandemia vai acelerar tomada de risco por fundos de pensão, diz Paulo Leme, da XP

Em palestra na Expert 2020, presidente do comitê de alocação da plataforma antevê mais investimentos em bolsa e no exterior por previdência e seguradoras, e elogia resposta do BC à crise

Pandemia vai acelerar tomada de risco por fundos de pensão, diz Paulo Leme, da XP

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A crise causada pelo novo coronavírus será uma espécie de pá de cal no velho mundo do retorno fácil para investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, e vai acelerar os processos de tomada de risco e de complexidade e diversificação de carteiras, afirmou Paulo Leme, presidente do comitê global de alocação da XP.

“Para o investimento institucional, de fundos de pensão e seguradoras, é simples: o mundo fácil do CDI acabou. E, de acordo com Jerome Powell, presidente do Fed, estaremos em um mundo de taxas negativas por muitos anos. É como se alguém tivesse mudado a intensidade da força de gravidade. A fronteira do risco versus retorno se deslocou para baixo, e a única maneira de cumprir as metas atuariais será aceitar mais alavancagem e aplicar em produtos menos líquidos e estruturados, correndo mais risco.”

O economista falou em palestra fechada a investidores institucionais na manhã desta terça-feira (14), durante o evento Expert 2020, promovido pela plataforma de investimentos.

Para ele, a pandemia vai acelerar um processo que já estava em andamento, de migração das carteiras do segmento, tradicionalmente de gestão mais conservadora, para o ambiente de risco das bolsas, com foco naquelas de mercados emergentes, como o Brasil.

“Na analogia do tsunami, a água já entrou pelas janelas, e temos setores perdedores e vencedores. Analisando por classes de ativos, os destinos onde a liquidez ainda está por chegar e os ativos estão relativamente baratos são os mercados emergentes, tanto em renda fixa soberana quanto em bolsa”, afirmou.

Os indicadores, diz Leme, se mostram melhores que as previsões no início da pandemia, apesar do que vê como “uma carnificina na inadimplência”, e há oportunidades inclusive entre setores tidos como “perdedores” na recente crise.

“Na nossa bolsa, ainda vejo uma concentração excessiva nos vencedores, como os de transformação tecnológica. Entre os perdedores, creio que os setores de sistema financeiro e energia são boas apostas para o pós-pandemia. Costumo seguir uma regra pessoal: se a ação está valendo duas vezes e meia o preço de livro, prefiro vender, e se está abaixo de uma vez esse preço, sou comprador. Hoje, há muitas empresas nesta situação e elas são oportunidades.”

Leme também defendeu a manutenção da aposta do time de gestão da XP em empresas com estilo de crescimento em “value”, ou seja, destaques das bolsas já há muito estabelecidas, e não em “growth”, como em promessas disruptivas que ainda não entregam resultado. “Até agora, o investidor que estava alocado em ‘value’ apanhou e pode continuar apanhando, mas, quando o mundo voltar ao normal, essas ações vão subir como uma mola”, afirmou.

Outro campo no qual o investimento institucional deverá avançar nos próximos meses e anos, segundo Leme, é o do investimento no exterior. “A participação do Brasil nas carteiras de risco global ainda é muito pequena. Esse é um processo de recomposição que a gente deve ver acontecer, principalmente porque a Selic deve cair até 1,5%, na minha opinião. A curva do CDI precifica um aumento muito rápido e que é totalmente contraditório com esse mundo global que o Powell está descrevendo; um dos dois vai estar certo, e um dos dois vai estar errado”.

Leme também alertou para a necessidade de ter cuidado com estratégias de proteção baseadas no dólar, na medida em que, na visão dele, a moeda americana pode sofrer desvalorização nos próximos anos, inclusive frente a divisas emergentes, como as moedas da Austrália e da Nova Zelândia.

Respostas dos bancos centrais

Leme também comentou as respostas dos bancos centrais à crise, injetando quantidades enormes de recursos por meio de compra de títulos públicos e de ações de empresas, em particular em segmentos afetados pela crise, como o das companhias aéreas.

Para o economista, ainda que certas medidas possam ter sido exageradas, a ação foi e sempre é melhor do que a inércia.

“Em momentos extraordinários, você precisa fazer o que os livros mandam não fazer. E o que aprendi com 40 anos de experiência junto a reguladores é que o pior erro é hesitar.”

Ele também viu acerto especificamente nas medidas tomadas pelo Banco Central brasileiro, em particular no aumento do “espaço quantitativo de crédito, na redução do custo da moeda, e nos estímulos fiscais para compensar a queda de demanda agregada”.

Mas defende que autoridade monetária e governo tracem e demonstrem com clareza um plano de saída dessa situação que chama de excepcional.

“É importante conversar com o mercado, reconhecer que está indo para 100% do PIB em endividamento, e demonstrar um plano de saída para um, três, cinco e dez anos, para reconquistar credibilidade. Com isso, reduzir o risco país e ter um achatamento da curva de risco. Essa situação é incômoda, mas já estamos nela! Agora, é preciso ter a lucidez e a coragem de explicar para a sociedade."

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