Ainda em processo de discussão interna, proposta prevê criação de uma Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado com integrantes da operação em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro
A Procuradoria-Geral da República discute internamente a criação de uma unidade única que agrupará as forças-tarefas da Operação Lava Jato em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Ainda inicial, a proposta visa o agrupamento dos membros da operação em uma Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac), e contará, também, com integrantes da Greenfield, que apura desvios em fundos de pensão em Brasília.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Minuta de projeto foi elaborada em abril deste ano e enviada para deliberação do Conselho Superior do Ministério Público Federal, órgão máximo da Procuradoria responsável por, entre outras atribuições, a votação e aprovação de normas e regulações internas. A proposta ainda pode receber mudanças em seu texto inicial a partir de comissão que será instituída para debater a medida.
A ideia inicial é que as três forças-tarefas da Lava Jato e a Greenfield se unam em uma Unac que será coordenada por um escolhido do PGR, Augusto Aras, a partir de uma lista tríplice entre os subprocuradores-gerais, último grau da carreira na Procuradoria. O coordenador da Unac ficará no cargo por dois anos atuando em casos de corrupção e improbidade com rotina unificada com os integrantes da Lava Jato e acesso às informações da operação. A sede da unidade será em Brasília.
Em crise com a Lava Jato, a proposta toca em ponto que levou à críticas internas da Lava Jato em Curitiba: o compartilhamento de informações. Segundo o texto, as bases de dados custodiadas pelas forças-tarefas deverão ser transferidas e administradas pela Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise, subordinada a Aras. Na semana passada, procuradores de Curitiba acusaram a aliada do PGR de fazer uma ‘diligência’ na sede do Ministério Público Federal para recolher informações sigilosas.
Ofício enviado por Aras em maio cobrava o envio de dados e informações obtidos pela Lava Jato nos últimos seis anos de operação como dados eleitorais, de câmbio, de movimentação internacional, além de relatórios de inteligência financeira, declarações de impostos de renda e base consolidadas de informações. O pedido também engloba dados recebidos em colaborações ou fornecidos por outros órgãos à força-tarefa e base de evidências, como mídias coletadas em apreensões e quebras telemáticas.

O procurador-geral da República, Augusto Aras. Foto: Dida Sampaio / Estadão
Os despachos foram vistos como tentativas de centralização de Aras nas forças-tarefas. A Lava Jato em Curitiba reagiu enviando ofício à Corregedoria-Geral criticando a visita da Lindora. Integrantes do grupo de trabalho da operação na PGR debandaram após o caso vir à tona. Em nota, a PGR negou as acusações.
“Não houve inspeção, mas sim uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações e o acervo da força-tarefa para solicitar eventuais passivos. Um dos papéis dos órgãos superiores do Ministério Público Federal é o de organizar as forças de trabalho”, escreveu a Procuradoria
Em crise com a Lava Jato, PGR discute projeto para unir forças-tarefas
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