Crítico da delação do empresário Joesley Batista a ponto de pedir sua rescisão no Supremo Tribunal Federal, o operador financeiro Lúcio Funaro, também colaborador da Lava-Jato, é suspeito de omitir dados de sua delação, conforme apontam dois depoimentos obtidos pela Polícia Federal.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Ex-assessor parlamentar da CPI dos Fundos de Pensão, o advogado Marcos Stamm revelou à Polícia Federal uma frente de atuação de Funaro que foi omitida em sua delação. Essa é segunda vez, na mesma operação, que depoentes relatam à PF nomes que não foram citados por Funaro em seu acordo.
Stamm foi alvo da operação Grand Bazaar, que investiga o pagamento de propina para que dirigentes de fundos de pensão não fossem ouvidos pela CPI. A investigação é baseada na delação de Funaro, que disse ter distribuído propina do empresário Arthur Pinheiro Machado, que tinha negócios com fundos de pensão.
Segundo Funaro, Stamm participou na negociação junto com o deputado Sergio Souza (MDB-PR), para que Wagner Pinheiro (Petros) e Antônio Carlos Conquista (Postalis) não fossem ouvidos pela CPI. Este último, contudo, foi ouvido duas vezes pelos deputados. Stamm negou que tenha ocorrido negociação de propina, mas revelou um personagem que, segundo ele, contou com a atuação de Funaro na CPI.
Stamm afirmou que, sim, foi procurado por Funaro para interceder na CPI. Mas o objetivo era proteger Zeca Oliveira, dirigente do banco BNY Mellon e acusado de inúmeras fraudes do Postalis.
“Que acredita que esteve pessoalmente com Lúcio Funaro apenas uma única vez, quando procurado por ele em São Paulo/SP, não se recordando se isso ocorreu no hotel em que estava hospedado ou se foi na sede da Associação dos Procuradores Autárquicos do Estado de São Paulo (APAESP), possivelmente em 2015 e na época em que recebeu a ligação de Lucio; Que ele queria tratar do assunto BNY Mellon, sendo que ele não queria que Zeca Oliveira fosse prestar depoimento à CPI, o que acabou ocorrendo adiante”, disse no depoimento ao qual a coluna teve acesso.
Funaro não contou em sua delação sobre a atuação em favor do BNY Mellon durante a CPI. Os registros da Câmara mostram que Zeca Oliveira falou após requerimento de Sérgio Souza. A sessão foi sigilosa.
O histórico de Funaro com delações é longo. Além de atacar o acordo de Joesley, Funaro é delator na Lava-Jato e também fez um acordo similar no mensalão, mas voltou a cometer crimes.
Procurado pela coluna, Lúcio Funaro afirmou que desde que passou a colaborar com a Justiça, em 2017, “houve várias iniciativas de criminosos na tentativa de tentar apontar omissões ou inverdades no seu acordo de delação, sem que nada ficasse comprovado, o que serve também para as declarações desse advogado”. Também disse que seu “acordo segue em segredo de Justiça, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal".
Assessor de CPI revela mais um parceiro de Funaro teria omitido em delação | Bela Megale – O Globo
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