Cenário segue incerto mas o pior da crise ficou para trás, na avaliação da entidade

No pior momento da crise, a Previ aproveitou para comprar cerca de R$ 2,5 bi em títulos públicos de inflação, diz Coelho — Foto: Reprodução
A velocidade com que se dará a recuperação da crise econômica é incerta, mas a leitura é de que o pior já ficou para trás. Essa é a avaliação do presidente da Previ, José Maurício Coelho. No primeiro trimestre, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil registrou déficit de R$ 23,6 bilhões em seu principal plano, de benefício definido, resultado especialmente da carteira de renda variável. Com a melhora dos mercados em abril e maio, conseguiu recuperar cerca de R$ 7 bilhões.
“É claro que ainda existem incertezas no cenário de curto prazo, mas a sensação que temos é que, em termos de resultado, nosso pior momento ficou para trás”, afirmou Coelho durante a Live do Valor, realizada ontem. O executivo reconheceu, no entanto, que é cedo para falar do resultado de 2020 e reforçou que o desempenho do ano não pode afetar a estratégia de longo prazo da Previ.
“O resultado de qualquer ano, seja positivo ou negativo, não pode tirar o foco da estratégia de longo prazo, que é o que de fato vai garantir a sustentabilidade de Previ”, disse. Coelho assegurou que o pagamento de benefícios – são R$ 13 bilhões ao ano – não será afetado. Foram realizados testes e simulações, considerando os cenários mais complexos vislumbrados. Ficou comprovada a capacidade do pagamento sem precisar vender ativos fora de preço, disse.
No pior momento da crise, a Previ aproveitou para comprar cerca de R$ 2,5 bilhões no mercado secundário de títulos públicos atrelados à inflação, com vencimento entre 2045 e 2055. Além da aderência com o passivo da fundação, segundo ele, esses títulos ajudam a mitigar o risco da carteira.
Já o programa de diversificação de ativos da Previ foi suspenso momentaneamente para evitar decisões precipitadas. Para 2020, o projeto inicial era fazer investimentos de quase R$ 5 bilhões em fundos multimercados, imobiliários e também no exterior. “Acredito que ainda temos condições de retomar o programa neste ano.”
Para Coelho, o retorno das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), apesar da recuperação da bolsa, ainda vai demorar algum tempo. “Vamos precisar de mais alguns meses para o mercado repor a confiança, principalmente nas empresas que se expõem pela primeira vez ao mercado, caso dos IPOs”, disse. A Previ participou de algumas operações em 2019, estratégia que faz parte do plano de diversificação.
Já o retorno do investidor estrangeiro para a bolsa depende, na sua avaliação, do avanço das reformas, de um reequilíbrio fiscal e da viabilização de investimentos em infraestrutura. “Se isso acontecer, acredito que o fluxo [de investidores estrangeiros] pode mudar de forma significativa”, disse. Prova disso é foi o sucesso de recentes emissões no exterior do Tesouro e da Petrobras.
No Brasil, a recuperação ficou aquém dos pares emergentes também por causa do fator político. Questionado sobre isso, o executivo afirmou que a instabilidade política, assim como a econômica e a social, faz parte do processo de tomada de decisão de investidores. “Ao fazer a avaliação de investimentos, é preciso ponderar todos esses fatores para, aí sim, tomar uma decisão bastante madura e aproveitar oportunidades”, disse.
A pauta do fundo de pensão é técnica e não há influência política na entidade, segundo ele. “Temos relação muito saudável e muito profissional com o nosso patrocinador. Os representantes dos associados são eleitos com alto grau de profissionalismo”, afirmou. Sobre uma eventual privatização do Banco do Brasil disse que Previ não precisa ter opinião sobre o tema e, a princípio, não haveria implicações para o fundo de pensão.
O presidente da Previ comentou ainda o trabalho da fundação para aumentar a diversidade nos conselhos de administração em que atua. “Temos uma meta interna de crescimento para mulheres representando a Previ em conselho”, disse. O executivo defendeu ainda que os investidores devem incentivar a adoção de práticas solidárias pelas empresas, inclusive futuramente. “Há muitos exemplos, com importação de testes, fabricação de álcool e máscaras. Aos investidores cabe incentivar essa prática para que as diferenças diminuam.”
Previ já recuperou R$ 7 bi desde abril | Finanças | Valor Econômico
https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/06/09/previ-ja-recuperou-r-7-bi-desde-abril.ghtml
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