Um portfólio de investimentos conservador permitiu que o Postalis, fundo de pensão dos Correios, tivesse um resultado positivo no primeiro quadrimestre do ano — e acima da meta atuarial. Com a estratégia, o plano de benefício definido (BD) teve um resultado positivo de 2,8% nos primeiros quatro meses de 2020, ante meta de 1,8%. Já o Postalprev, de contribuição variável, ficou negativo em 2,41%, disse ao Valor o diretor de investimentos Alexandre Miguel. A intervenção acabou em dezembro passado e agora há uma diretoria provisória até as eleições em junho.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“Por ter passado tudo o que passou nos últimos anos, o Postalis tinha uma carteira bem conservadora. Isso limita os ganhos em épocas de otimismo mas também segura perdas em momentos de derrocadas como tivemos recentemente nos mercados”, diz o diretor de investimentos da entidade, Alexandre Miguel. Além da carteira conservadora, a meta atuarial, de 4,6% mais INPC, foi de apenas 1,8% no período. Como o indexador ficou negativo, o objetivo também foi mais baixo. No ano passado, por exemplo, foi de 9,62%.
O Postalis foi alvo de uma intervenção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) em 2017, encerrada no fim de 2019. O fundo de pensão, que tem mais de 100 mil participantes, foi prejudicado por escândalos de corrupção, investimentos malsucedidos, contas reprovadas e problemas de governança. Em meio ao “bull market”, o interventor Walter Parente e sua equipe precisaram sanear os investimentos ruins e tentar recuperar perdas, optando por investimentos conservadores. Por causa dos problemas passados, o plano BD ainda tem um déficit de R$ 12 bilhões para ser equacionado entre o patrocinador e participantes, mas ainda depende de negociações com sindicatos.
Além disso, o plano BD, já maduro, precisa de liquidez mais imediata. Cerca de 50% da carteira está alocada em títulos públicos, sendo a maioria marcada a mercado. “Houve um movimento de abertura de curva das NTN-Bs, que impacta nos resultados”, disse Miguel. O plano tem 4% alocados em títulos de empresas brasileiras no exterior, com valorização de 33% no ano por impacto do câmbio. Possui também FIPs voltados para a área de energia e um complexo logístico locado para os Correios em Cajamar (SP), e 8% em operações com participantes.
Elaborada antes da crise causada pelo coronavírus, a política de investimentos da fundação estimava que o Ibovespa pudesse ficar entre 120 mil e 130 mil ao final de 2020. “Mesmo que no curto prazo o horizonte não seja muito positivo, sabemos que nos médio e longo prazos, quem fizer uma alocação no nível atual de bolsa, vai ter um prêmio muito maior”, referindo-se ao recorde de baixa do indicador, que chegou aos 63 mil pontos em março. Neste patamar, o Postalis fez uma alocação de R$ 200 milhões em renda variável para o plano BD, chegando a uma fatia de 8%.
O Postalprev tem 75% em títulos públicos. A maioria é marcada na curva (contabilizados pelo valor de compra, mais a variação da taxa desde a emissão do papel até o vencimento) e garante um retorno de 6%. Nele, não foram feitas alocações em bolsa porque o plano já tinha chegado ao seu objetivo para o segmento, de 13% dos investimentos do plano. O caixa disponível do plano, de R$ 500 milhões, foi destinado à compra de mais NTN-Bs “na curva”. “Com a abertura das taxas, foi possível diminuir a volatilidade da carteira com prêmios acima da meta”, disse Miguel.
Carteira conservadora ajuda Postalis a bater meta mesmo na crise | Finanças | Valor Econômico
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